sexta-feira, março 13, 2026
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Parceria nacional reforça assistência em cardiologia pediátrica no Hias




Profissionais do Hcor realizam capacitação com equipes do Hias voltada ao fortalecimento da assistência a pacientes com cardiopatias no Ceará

O Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), recebeu, entre os dias 24 e 27 de fevereiro, uma equipe de profissionais do Hcor, instituição que é referência nacional em cardiologia, para mais uma etapa do Projeto Congênitos, com capacitações práticas para as equipes assistenciais do equipamento. A iniciativa visou ampliar a capacidade de atender casos mais complexos de cardiopatias congênitas (malformações presentes desde o nascimento que afetam o coração) no Ceará, passando a ofertar mais diagnósticos, cirurgias e acompanhamentos no próprio serviço.

Entre os pacientes atendidos está Eliomar Rodrigues, de 16 anos. A mãe dele, Célia Rodrigues, agricultora de 58 anos, moradora de Itapipoca, a 133 km de Fortaleza, acompanhou de perto todo o processo até a cirurgia, que aconteceu na última quinta-feira (26). Ela relata que o filho sempre foi ativo, gostava de brincar e pedalar, mas passou a apresentar cansaço constante, inchaço na barriga e perda de força até para atividades simples.

Segundo Célia, antes de chegar ao hospital, o adolescente precisou se afastar das atividades de que mais gostava e do convívio com amigos. “Ele não conseguia mais brincar e isso mexeu muito com ele e com todos nós da família. Eu temia pela vida do meu filho, mas hoje, depois da cirurgia, estou aliviada e confiante”, relata a mãe.

Célia acompanha o filho após cirurgia cardíaca realizada no Hias

Segundo a cardiologista pediátrica do Hias, Geni Medeiros, embora muitas cardiopatias congênitas não representem risco imediato, “a ausência de diagnóstico e tratamento adequados pode levar, ao longo do tempo, a complicações como dificuldades respiratórias, infecções e atraso no desenvolvimento”, explica.

Antes da cirurgia, o adolescente apresentava cansaço até mesmo para caminhar dentro de casa, tomar banho ou pentear o cabelo. A expectativa da equipe é que, com a correção cirúrgica, ele tenha controle dos sintomas, recupere peso e retome gradualmente as atividades do dia a dia.

“O Eliomar é portador de cardiopatia reumática crônica, uma sequela da febre reumática, doença causada por bactéria que pode provocar inflamação nas articulações e comprometer as válvulas do coração. No caso dele, houve lesão em duas válvulas: uma precisou ser substituída e a outra passou por um procedimento de reconstrução”, explica.

Procedimento de cirurgia cardíaca pediátrica realizado no centro cirúrgico do hospital, com acompanhamento das equipes assistenciais e suporte do HCor

A programação da semana incluiu treinamentos que reproduzem situações graves em ambiente controlado; atualização em Oxigenação por Membrana Extracorpórea (Ecmo), tecnologia utilizada quando o coração ou os pulmões não conseguem manter a oxigenação adequada do sangue; e fortalecimento das Teleorientações do Ato Cirúrgico (TAC), sistema que permite acompanhamento remoto de cirurgias em tempo real.

A etapa atual conta com a participação do cirurgião cardiovascular pediátrico Marcelo Jatene. “O fortalecimento de centros regionais é fundamental para garantir equidade no acesso à cirurgia cardíaca pediátrica no Brasil. Quando capacitamos a equipe local e estruturamos processos assistenciais, ampliamos a segurança, aumentamos o nível de complexidade atendido e melhoramos os desfechos clínicos das crianças atendidas pelo SUS”, afirma.

O Congênitos é uma iniciativa do Ministério da Saúde (MS), desenvolvida em parceria com o Hcor por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), com o objetivo de fortalecer centros públicos habilitados em cirurgia cardíaca pediátrica e ampliar a capacidade local de atendimento a crianças com cardiopatia congênita.

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No âmbito da parceria, as equipes passaram a discutir exames e casos clínicos em tempo real com especialistas de São Paulo, realizar reuniões multiprofissionais com maior frequência e utilizar tecnologia para avaliação remota de pacientes, contribuindo para decisões clínicas mais seguras, melhor planejamento cirúrgico e acompanhamento organizado.

O Hias foi um dos três selecionados entre 17 centros cirúrgicos do Norte e Nordeste para integrar o projeto. A primeira etapa, iniciada em outubro de 2024, incluiu diagnóstico institucional, visitas técnicas e curso teórico à distância para 15 profissionais de diferentes áreas. Em seguida, parte da equipe realizou estágio presencial em São Paulo. Desde então, o hospital mantém suporte remoto para discussão de casos e apoio na tomada de decisões.

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