
Em uma ação conjunta para garantir a segurança e a preservação ambiental, a Comissão de Política Urbana e Meio Ambiente realizou, na tarde desta sexta-feira (10), uma visita técnica à parede do açude do Jangurussu. A inspeção buscou avaliar o estado da estrutura e coordenar as próximas etapas de manutenção e manejo hídrico da região.
De acordo com o presidente da Comissão, vereador Gabriel Aguiar (PSOL), a iniciativa é uma resposta às famílias que vivem no entorno do açude, preocupadas com o histórico da barragem.
“Estamos aqui representando a Comissão porque a comunidade tem relatado uma preocupação em relação ao potencial de avaria dessa estrutura, que já teve um rompimento histórico nos anos 80. Viemos com órgãos do Executivo, como a Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente, Defesas Civis do Município e do Estado, além do Gabinete da Presidência da República, para ver o estado de conservação. Os vereadores Marcos Paulo e Marcelo Colares, que conhecem bem o território, vão levar essa demanda para a Câmara para que possamos dar os encaminhamentos necessários após essa fiscalização”, destacou Gabriel Aguiar.

O vereador Marcel Colares (PDT),
membro da Comissão, reforçou a importância da presença do Legislativo nos
bairros para mediar conflitos e buscar soluções práticas. Para ele, a situação do
açude exige atenção devido ao histórico recente de chuvas.
“O papel fundamental do vereador é ir até a rua e conversar com a população. Essa questão da barragem tem piorado nos últimos anos. No ano passado, o nível subiu muito e a Defesa Civil esteve no local, mas este ano o risco é ainda maior. Estamos aqui para agregar os serviços do poder público e buscar uma solução definitiva que traga segurança para o povo do Jangurussu”, afirmou o parlamentar.
Outro que também esteve presente foi o vereador Marcos Paulo (PP). Ele destacou que a preocupação da comunidade com o açude é uma demanda histórica, mas que o receio aumentou significativamente após o início das obras nas proximidades. O parlamentar relembrou sua relação pessoal com o local, onde costumava nadar na adolescência, e lamentou a percepção de que a situação está piorando. Diante disso, ele reforçou a importância do acompanhamento técnico.
“O vereador Gabriel já fez todo o estudo, entende dessa questão do meio ambiente, e a gente quer ver como está a situação da barragem hoje, se é realmente por causa da obra, e a gente pediu os devidos encaminhamentos, que é o que a gente vai fazer aqui hoje”, evidenciou o parlamentar.

Um dos pontos centrais da vistoria foi entender como as recentes intervenções urbanas no entorno, como a construção de empreendimentos privados, alteram o comportamento da água. O coronel Haroldo Gondim, da Defesa Civil, explicou que o foco técnico agora é evitar o acúmulo de água entre a parede do açude e as novas construções.

“O medo da comunidade é que novas obras façam alguma alteração no comportamento hidrodinâmico, acumulando água entre a parede do açude e o empreendimento. Já fizemos contatos com a Seuma, Seinf, SRH e outros órgãos para encontrar soluções que façam essa água fluir. É um açude antigo, de 1922, e precisamos de cautela. Primeiro resolvemos o problema do acúmulo de água para, então, mitigar os riscos da barragem em si”, pontuou o Coronel.
Para quem vive essa realidade diariamente no bairro, a visita técnica é uma esperança. Maria Waldirene, dona de casa e moradora da região há 14 anos, relata que o medo aumentou após o aterro de obras vizinhas, que passou a represar a água da chuva em direção às residências. “A construção tem nos causado muito sofrimento porque o aterro é muito alto. Agora, mesmo quando chove pouco, a água entra na nossa casa e fica na porta. O açude sempre teve esse perigo de rompimento, mas a situação da água invadindo as casas não era assim anos atrás. Essa visita traz um pouco de alívio e confiança. Acredito que, com todos esses órgãos unidos, vamos finalmente chegar a uma solução”, desabafou a moradora.

A Comissão de Política Urbana e Meio Ambiente deve elaborar um relatório técnico com base nas observações colhidas, para mediar junto aos órgãos responsáveis obras de mitigação de riscos.
Fotos: José Leomar

