
O bairro Presidente Kennedy ganhou um destaque especial. No coração da Regional 3, quatro adolescentes da Escola Municipal de Tempo Integral (EMTI) Prof. Joaquim Francisco de Sousa enxergaram no projeto Parla, Jovem! a oportunidade de transformar a realidade da região. Longe dos holofotes dos grandes centros econômicos da capital, a rotina desses jovens está diretamente ligada ao corre-corre de quem acorda cedo para garantir o sustento.
Cenário que motivou os jovens Maria Ludmila, Davi Lucas, Vitória Evellyn e Kaynâ Sabino a encontrar inspiração para cruzar a cidade e ocupar a tribuna da Câmara de Fortaleza. Os estudantes transformaram as vivências de suas famílias e as carências que observam no ambiente escolar em propostas legislativas. Eles provaram que, mesmo diante de um contexto socioeconômico desafiador, a juventude da periferia tem voz, sensibilidade e capacidade de propor soluções para melhorar a cidade.

Cuidado e proteção
Para as jovens Maria Ludmilla Sousa Oliveira e Vitória Evellyn Vasconcelos Camelo, a escola precisa ser, antes de tudo, um território de segurança física e mental.
Com o projeto “Meninos e Meninas Protegidos: Projeto de Proteção Contra a Pedofilia”, Maria Ludmilla, que sonha em cursar Medicina e seguir carreira na Perícia Criminal, encontrou na defesa da proteção de crianças e adolescentes uma forma de contribuir para a prevenção da pedofilia e do assédio. Filha de uma auxiliar de laboratório e de um eletrotécnico, a estudante escolheu abordar um tema sensível, mas essencial para promover conscientização e fortalecer a rede de apoio dentro das escolas. A proposta busca incentivar o diálogo, orientar estudantes sobre como identificar situações de violência e divulgar os canais de denúncia e acolhimento, reforçando a importância de que nenhuma criança ou adolescente enfrente esse tipo de situação sem apoio.

Ao lado dela na defesa do bem-estar, Vitória Evellyn — filha de uma costureira e de um pedreiro — é autora do “Projeto de Acolhimento“. Sensibilizada ao observar as demandas relacionadas ao bem-estar emocional entre colegas de classe e profissionais da rede pública de ensino, a jovem propõe a criação de canais permanentes de apoio psicológico nas escolas.
A estudante destaca que a proposta surgiu a partir da percepção de que a saúde mental exerce influência significativa sobre a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas. Segundo ela, a convivência com colegas e profissionais da rede de ensino que enfrentavam dificuldades emocionais motivou a elaboração do projeto, pensado para ampliar o acesso ao apoio psicológico e beneficiar toda a comunidade escolar.

Inclusão e equilíbrio de rotina
Para além da segurança, o cotidiano do bairro Presidente Kennedy inspirou reflexões profundas sobre o direito ao lazer inclusivo e a uma rotina de estudos saudável.
Davi Lucas da Silva Sousa traduziu a empatia no projeto “Criação de Parque Inclusivo em Escolas de Ensino Fundamental – Anos Finais“. Com o sonho de ser bombeiro militar, ele conta que a ideia surgiu ao perceber que estudantes autistas e com deficiência frequentemente não participavam dos momentos de lazer no pátio da escola.
“A minha ideia surgiu quando eu vi que estudantes autistas e que têm alguma deficiência, estavam ficando de fora das brincadeiras. Foi daí que surgiu minha proposta. Eu percebi que isso pode atrapalhar muito a saúde mental dos estudantes”, relata Davi.

Já o estudante Kaynã Sabino Soledade usou sua vivência no ensino em tempo integral para propor a “Adequação do Horário Escolar“. Apaixonado por tecnologia e com o objetivo de se tornar programador de jogos, Kaynã observou que a carga horária pode impactar o rendimento escolar e o convívio familiar de estudantes. Sua proposta defende uma rotina mais equilibrada para alunos e professores da rede municipal.
“Acredito que essa mudança possa gerar impactos positivos na comunidade escolar, com maior rendimento, redução do cansaço e mais qualidade de vida para os estudantes”, reforça.

Cidadania na prática
Para os quatro estudantes da EMTI Prof. Joaquim Francisco de Sousa, o processo eleitoral simulado para a Câmara de Fortaleza representou uma experiência importante para a formação pessoal e cidadã. Mesmo sem histórico familiar de atuação política, eles aprenderam a usar a tribuna para dar voz às demandas do seu cotidiano.
O projeto simulado ensinou a esses jovens a importância do voto, do trabalho em equipe, da oratória e da liderança. Acima de tudo, aproximou a periferia de Fortaleza do centro das decisões políticas da capital cearense, provando que o futuro e a renovação da cidade começam quando a juventude se apropria de seus direitos.
Projeto Criação de Parque Inclusivo em Escolas de Ensino Fundamental – Anos Finais
- Problema a enfrentar: Situações de exclusão de estudantes com autismo e outras deficiências das atividades de lazer e interação social durante o recreio escolar, o que pode comprometer a saúde mental e o bem-estar emocional desses jovens na comunidade escolar.
- Proposta e Impacto: Implementar playgrounds e espaços de convivência adaptados e inclusivos nas escolas municipais de ensino fundamental. O objetivo é garantir que todas as crianças e adolescentes, independentemente de suas limitações físicas ou cognitivas, possam brincar e interagir juntos, promovendo a inclusão social na prática, reduzindo o isolamento e fortalecendo a saúde mental dos alunos.
Projeto Meninos e Meninas Protegidos: Projeto de Proteção Contra a Pedofilia
- Problema a enfrentar: A vulnerabilidade de crianças e adolescentes diante de situações de assédio, importunação e abuso sexual/pedofilia dentro do ambiente escolar, somada à importância de ampliar canais seguros de denúncia e de aperfeiçoar os procedimentos institucionais de atendimento às vítimas.
- Proposta e Impacto: Fortalecer mecanismos eficazes de proteção, canais seguros de denúncia e protocolos de acolhimento para estudantes que sofram ou presenciem abusos cometidos por adultos ou outros alunos. O objetivo é quebrar o ciclo de silêncio, garantir punição aos agressores e dar segurança para que pais e mães trabalhadores possam deixar seus filhos na escola com a certeza de que eles estão protegidos.
Projeto Adequação do Horário Escolar
- Problema a enfrentar: As dificuldades enfrentadas por estudantes e professores para conciliar as demandas escolares com momentos de descanso, lazer e convivência familiar.
- Proposta e Impacto: Adequar a grade horária das escolas municipais de tempo integral para promover uma rotina mais equilibrada. A proposta busca contribuir para o bem-estar de alunos e docentes, favorecer o rendimento escolar e ampliar as oportunidades de descanso, lazer e convivência familiar para a comunidade escolar.
Projeto de Acolhimento
- Problema a enfrentar: A necessidade de ampliar o acesso a ações de apoio emocional e de atenção à saúde mental na rede de ensino, oferecendo suporte a alunos e profissionais diante de desafios pessoais e escolares que podem repercutir no bem-estar, na convivência e no processo de aprendizagem.
- Proposta e Impacto: Desenvolver programas de suporte psicológico contínuo e canais formais de acolhimento emocional dentro das escolas municipais. O objetivo é criar uma rede de apoio estruturada e sem custos financeiros para a comunidade escolar, garantindo que o sofrimento psicológico seja ouvido e tratado com dignidade, prevenindo crises e promovendo um ambiente de ensino saudável.
Foto: Luciano Melo/CMFor.
