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Temporada das baleias-jubarte termina com menos filhotes

quinta-feira, novembro 5, 2026

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Temporada das baleias-jubarte termina com menos filhotes

Todos os anos, as baleias-jubarte percorrem quase 4 mil quilômetros, desde a Antártida, onde se alimentam, até o arquipélago dos Abrolhos, no sul da Bahia, onde acasalam e dão à luz a filhotes. Mas, este ano, poucos nascimentos foram registrados na “maternidade” de baleias do Brasil.

A principal hipótese é que isso seja consequência do aquecimento global

Nas contas do Instituto Baleia Jubarte, até setembro, a proporção de filhotes dentro da população de baleias avistadas foi de apenas 3,35%, bastante abaixo da média histórica de 9,98%, registrada desde 2014. Durante toda a temporada do ano passado, a taxa bruta de natalidade foi de 10,7%, e o recorde foi verificado em 2024: 16,69%.

O diretor de pesquisas do instituto, Milton Marcondes, explica que as mudanças climáticas podem estar afetando a disponibilidade de krill na Antártida. Os pequenos crustáceos marinhos são o alimento quase exclusivo das jubartes.

“Baleias que não se alimentam direito, quando vêm acasalar, não têm tanta fertilidade, ou a fêmea em gestação corre o risco de perder o filhote”, acrescenta Marcondes.

As jubartes não costumam se alimentar durante a viagem, portanto, precisam acumular um bom estoque de gordura antes de partir rumo a Abrolhos, especialmente as que estão gestantes e terão que amamentar os filhotes.

Os dados de natalidade consideram o monitoramento diário feito por pesquisadores do instituto, a bordo de uma barcaça que transporta celulose entre Belmonte, na Bahia, e Barra do Riacho, no Espírito Santo.

De acordo com Marcondes, eles são mais confiáveis para estatísticas anuais, porque a contagem é feita diariamente, durante o mesmo período e ao longo do mesmo trajeto, todos os anos.

O instituto também fez a contagem das baleias avistadas durante 11 cruzeiros científicos ao arquipélago dos Abrolhos, contabilizando431 indivíduos, sendo 42 filhotes. Essa proporção também foi abaixo da esperada, segundo Marcondes.

Além disso, uma contagem maior está sendo realizada por sobrevoo, do litoral de São Paulo ao Rio Grande do Norte, para estimar a população total de baleias jubartes do país. O último levantamento desse tipo foi feito em 2022, calculando um número recorde de 34,5 mil baleias.

A contabilização deste ano ainda está em andamento, mas deve mostrar menos indivíduos e filhotes. O diretor de pesquisas do Instituto Baleia Jubarte explica que flutuações na população são comuns, mas é preciso entender o que está afetando a reprodução.

“Não aconteceu só no Brasil. Aconteceu também com as jubartes do Pacífico, que frequentam a costa do Equador, e aconteceu com as jubartes da costa oeste e da costa leste da Austrália…”, contextualiza.

A diminuição dos nascimentos também está fazendo com que a temporada este ano acabe mais cedo. Geralmente, as jubartes começam a aparecer no Brasil em junho, com pico entre julho e outubro, e vão embora até novembro.

“As baleias que vieram acasalar, acasalaram e foram embora. Quem segura a temporada até mais tarde são os filhotes, porque a mãe tem que esperar ele crescer, desenvolver a musculatura e uma camada de gordura que permita a ele fazer a migração até as áreas de alimentaçãoe proteja do frio da água de lá [Antártida]. Com menos filhotes, a temporada é mais curta”, explica Milton Marcondes.

Os registros de encalhes também estão atípicos. “A maioria dos encalhes, em geral, é de filhotes. É a fase mais sensível do bicho, ele depende da mãe para alimentação e proteção. Se ele se separa da mãe, acaba morrendo de fome ou atacado por um predador. Também tem um sistema imunológico menos desenvolvido”.

Fonte: Agência Brasil – EBC

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