sexta-feira, março 13, 2026
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Abuso policial gera mais insegurança, diz Human Rights Watch

Abuso policial gera mais insegurança, diz Human Rights Watch

O uso irrestrito da força letal pela polícia como estratégia de segurança no país tem resultado em mais violência e insegurança, em vez de deixar as cidades brasileiras mais seguras. A avaliação é do diretor da organização não governamental

A entidade divulgou, nesta quarta-feira (4), seu Relatório Mundial 2026, em que analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países.

Os dados compilados no relatório mostram que,

entre janeiro e novembro de 2025, forças policiais mataram 5.920 pessoas no país

, e que os brasileiros negros têm três vezes e meia mais chances de se tornarem vítimas do que os brancos.

a operação mais letal da história do Rio de Janeiro

, que matou 122 pessoas em outubro do ano passado. Chamada de Operação Contenção, a ação foi realizada nos Complexos da Penha e Alemão para capturar lideranças dafacção Comando Vermelho.

“O que não funciona é entrar na favela atirando. Isso não desmantela grupos criminosos, só cria mais insegurança e coloca os próprios policiais em risco”, disse César Muñoz.

Em 2025, 185 policiais foram mortos, segundo dados do Ministério da Justiça.

Segundo a HRW, a taxa de suicídio entre policiais é muito mais alta do que no restante da população, o que reflete a exposição desses agentes à violência e o apoio inadequado à sua saúde mental.

“O nosso pedido é que tenha propostas baseadas na ciência e em dados. Propostas que realmente desmantelem grupos criminosos, que atuem com base em inteligência na investigação, [de forma] independente, para identificar essas ligações ou vínculos entre grupos criminosos e agentes do Estado, e sua infiltração na economia legal”, explicou Muñoz.

Muñoz afirma que a letalidade policial continua em níveis tão altos, principalmente, pela falta da devida apuração dos casos de morte decorrente de intervenção policial.

“Podemos ver isso na Operação Contenção, do Rio de Janeiro, em outubro [de 2025]. Um dos problemas no Rio, especialmente, é que a perícia é totalmente subordinada à Polícia Civil, e não tem a necessária independência para fazer o trabalho de forma adequada”, criticou.

Ele ressalta que, embora algumas mortes pela polícia sejam em legítima defesa, muitas são execuções extrajudiciais.

os abusos cometidos pela polícia e a corrupção dentro das forças de segurança pública são fatores que levam as comunidades a desconfiar das autoridades.

Fonte: Agência Brasil – EBC

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