sábado, agosto 8, 2026
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Agosto Lilás: 20 anos da Lei Maria da Penha e o compromisso permanente com a proteção das mulheres


Agosto Lilás: 20 anos da Lei Maria da Penha e o compromisso permanente com a proteção das mulheres

O mês de agosto é marcado em todo o país pela campanha Agosto Lilás, iniciativa nacional dedicada à conscientização pelo fim da violência contra a mulher. Em 2026, a mobilização ganha um significado ainda mais especial com o aniversário de 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), legislação de referência que transformou a forma como o Brasil previne, combate e pune a violência doméstica, familiar e nas relações íntimas de afeto.

Sancionada há duas décadas, a lei representou uma virada de chave no país ao prever medidas protetivas de urgência, como o afastamento imediato do agressor do lar, a proibição de contato com a vítima, a transferência da mulher e de seus dependentes para abrigos especializados e a inclusão em programas oficiais de proteção.

Ao longo desses 20 anos, a legislação possibilitou um amadurecimento significativo na rede de apoio à mulher. Segundo Lyliane Bastos, coordenadora da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara de Fortaleza, o impacto da norma é inegável.

“A Lei Maria da Penha representou um marco histórico na proteção das mulheres brasileiras. Ao longo desses 20 anos, houve importantes avanços, como a ampliação da rede de atendimento, a criação de órgãos especializados, como Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, o fortalecimento das medidas protetivas de urgência, a integração entre os sistemas de Justiça, segurança e assistência social, além de uma maior conscientização da sociedade sobre as diferentes formas de violência”, destaca a coordenadora.

No
entanto, Lyliane pondera que a caminhada ainda exige esforço
contínuo dos órgãos públicos e da sociedade civil. “Apesar
desses avanços, ainda enfrentamos desafios significativos. A
subnotificação dos casos, a persistência da violência doméstica
e do feminicídio, a violência psicológica e digital, além da
necessidade de ampliar o acesso das mulheres aos serviços de
proteção, especialmente nas áreas mais vulneráveis, mostram que o
enfrentamento à violência exige uma atuação permanente e
articulada”, pondera.

A consolidação da legislação mudou paradigmas jurídicos e sociais, elevando a proteção à mulher ao patamar dos direitos humanos essenciais. “A Lei Maria da Penha mudou a forma como o Estado brasileiro enfrenta a violência doméstica e familiar”, afirma a coordenadora.

Ela reconheceu essa violência como uma violação dos direitos humanos, estabeleceu mecanismos de proteção às vítimas, fortaleceu a responsabilização dos agressores e consolidou políticas públicas voltadas à prevenção, ao acolhimento e à assistência. “Ao longo desses 20 anos, a legislação também foi sendo aprimorada para acompanhar novas demandas sociais, ampliando direitos e fortalecendo a rede de proteção às mulheres”, pontuou.

Entre as maiores barreiras para combater o problema estão a falta de informação e o medo. Romper o ciclo da violência exige que as vítimas saibam que não estão sós e tenham acesso fácil aos canais de apoio. E, para isso, a informação salva vidas.

“Quando a mulher conhece seus direitos e sabe onde buscar ajuda, ela tem mais condições de romper o ciclo da violência. A denúncia é fundamental para que os órgãos competentes possam agir, proteger a vítima e responsabilizar o agressor. Por isso, ações educativas e campanhas de conscientização são importantes quanto o atendimento especializado. Enfrentar a violência é uma responsabilidade coletiva, e toda a sociedade precisa estar comprometida com essa pauta”, explica Lyliane.

Procuradoria
Especial da Mulher da Câmara

Alinhada a essas diretrizes, a Procuradoria Especial da Mulher da Câmara de Fortaleza desempenha um papel essencial no município, oferecendo acolhimento, orientação e atuando ativamente na prevenção. “A Procuradoria Especial da Mulher da Câmara de Fortaleza atua na promoção dos direitos das mulheres por meio de ações permanentes de prevenção, acolhimento, orientação e articulação institucional”, explica a coordenadora.

A atuação abrange iniciativas diversas, como:

  • Atendimento
    e orientação: Escuta qualificada e encaminhamento especializado
    para mulheres em situação de vulnerabilidade.
  • Procuradoria
    nas Ruas: Ações itinerantes que levam serviços e conscientização
    diretamente às comunidades.
  • Educação
    preventiva: Palestras, oficinas e capacitações em escolas,
    universidades, empresas e instituições públicas e privadas.
  • Eventos
    e cultura de paz: Promoção de exposições e seminários, como a
    exposição “Você Não Está Só”, realizada no Legislativo
    Municipal.
  • Articulação
    de rede: Parcerias com órgãos do Sistema de Justiça, Segurança
    Pública e sociedade civil.

Programação
especial do Agosto Lilás 2026

Para marcar as duas décadas da Lei Maria da Penha, a Procuradoria preparou uma agenda especial com seminários, palestras e ações educativas voltadas ao fortalecimento da rede de proteção.

Entre os destaques está o lançamento do edital que selecionará artigos científicos para compor uma obra comemorativa sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha. A publicação reunirá trabalhos produzidos por servidores da Câmara de Fortaleza, incentivando a produção de conhecimento e o debate qualificado sobre os avanços, os desafios e as perspectivas da legislação. A programação contará ainda com seminários, palestras, ações educativas e atividades voltadas ao fortalecimento da rede de proteção às mulheres.

Como
buscar ajuda e denunciar

  • Central de Atendimento à Mulher (Nacional): Ligue 180 (gratuito, confidencial e funciona 24 horas por dia).
  • Emergências de Segurança Pública: Ligue 190 (Polícia Militar).
  • Procuradoria Especial da Mulher da Câmara de Fortaleza:
    – Atendimento: Suporte, orientação jurídica e acolhimento especializado às mulheres fortalezenses.
    – Localização: Câmara de Fortaleza, no hall de entrada.

Fotos: Arquivo/CMFor



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