quarta-feira, março 18, 2026
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Bloco Aparelhinho celebra 15 anos de carnaval em Brasília

No início, era apenas um som eletrônico montado sobre um carrinho alegórico cruzando as ruas da cidade onde diziam que “não tinha carnaval”.

Inspirado nas aparelhagens do Pará, neste sábado (14), o

completa 15 anos consolidado não apenas como um bloco, mas como um movimento de apropriação do carnaval de rua e ressignificação do espaço público na capital federal.

“É puro amor à cidade, às ruas da cidade, às avenidas ocupadas e coloridas; é vontade mesmo de ver o carnaval de rua acontecendo aqui”, disse o DJ Rafael Ops, um dos fundadores do bloco, em

de Brasília, nesta sexta-feira (13).

“Assim como uma fanfarra que toca sua flauta, seu instrumento pela rua, a gente quer sair empurrando nosso carrinho pela rua também”, contou Ops.

O DJ explicou que o primeiro carrinho foi construído na oficina de marcenaria do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB). Na época,era estudante de artes cênicas na UnB e fez o primeiro projeto em parceria com o arquiteto Gustavo Góes.

“Ele não surgiu como um trio elétrico, como um palco, ele surgiu como um objeto empurrável que pode ocupar marquise, túnel, subir em calçada, ele vai para onde a gente imaginar. Era simplezinho, com quatro caixinhas de som ativas. Chegamos no primeiro ano sem expectativa nenhuma e tivemos um ano maravilhoso. Já de cara, a cidade amou o projeto e hoje estamos aí completando 15 anos”, celebrou.

Ao longo dos anos, o carrinho elétrico evoluiu para uma estrutura mais tecnológica e visualmente impactante com as cores do bloco: azul e laranja. Os organizadores explicaram que já teve carrinho de madeira, de ferro, foi online na pandemia, foi charrete, foi trio e já foi carreta.

Há alguns carnavais, o Aparelhinho sai às ruas com o apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e, em 2026, tem cerca de 100 pessoas envolvidas na organização.

A publicitária Bruna Daibert frequenta o bloco desde a primeira edição, em 2012, e resume: “amo muito o carnaval. Enquanto o Aparelhinho sair, eu vou também”. “É o bloco em que encontro meus amigos, que a gente está em casa, que trago minha filha, que eu faço questão de vir”, disse, explicando que a filha, hoje com 16 anos, se diverte no bloco desde criança.

“Acho muito importante a gente formar esse novo público de carnavalescos, pra gente se fixar cada vez mais e o carnaval ocupar, inclusive, o meio das quadras [residenciais]”.

Bruna se referiu à disputa entre os que querem a festa popular em todos os espaços e aqueles que defendem a concentração dos blocos em lugares fixos, em razão do barulho e da sujeira.

Em 2023, por exemplo, o bloco Galinho de Brasília, um dos mais tradicionais da capital federal, cancelou o desfile diante da restrição de trajeto por quadras residenciais da Asa Sul. Hoje, o bloco de frevo se concentra no Setor de Autarquias Sul.

“Acho que a gente tem que ocupar a cidade inteira, é uma vez por ano. Deixa o carnaval acontecer, é tão bonito, tão colorido, tão feliz”, completou Bruna.

Fonte: Agência Brasil – EBC

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