Poucos blocos do carnaval carioca conseguiram construir, ao longo de cerca de 25 anos, uma identidade tão reconhecível e afetiva quanto o Bloco Céu na Terra.
O bloco foi fundado no final dos anos 1990, período em que o carnaval de rua do Rio de Janeiro ainda iniciava o processo de retomada que o transformaria em fenômeno de massa.
O Céu na Terranasceu e se consolidou em Santa Teresa, bairro marcado pelas ladeiras, pela arquitetura histórica e pela convivência direta entre os moradores e o carnaval. A cada edição, nomes centrais da música brasileira são homenageados.
Em 2026, o tributo é aJorge Ben Jor, cuja obra atravessa gerações com forte apelo popular, marcada pelo swing e pela brasilidade. O bloco desfilou cedo neste sábado, com saída às 7h, e também vai às ruas no Sábado de Carnaval (14), no mesmo horário, no Largo dos Guimarães.
“O Jorge Ben é muito querido, a música dele é cheia de energia e combina totalmente com o Céu na Terra”, afirma Péricles Monteiro, um dos fundadores do bloco, em entrevista à
Nos últimos anos, a agremiação homenageou artistas como Milton Nascimento, Rita Lee e Pepeu Gomes, fortalecendo o diálogo entre o carnaval de rua e a história da MPB.
A homenagem a Jorge Ben Jor se materializa em diferentes frentes do desfile. Um bonecão do artista integra o cortejo, acompanhado por uma arte especial criada pelo DJ Zod.
Take It Easy My Brother Charles
já fazem parte dos ensaios, somadas às marchinhas, sambas, cirandas e afroxés que compõem a trajetória musical do bloco.
Ao longo do percurso, paradas artísticas — conhecidas como “estações” — serãodedicadas a músicas específicas, criando momentos de escuta e celebração coletiva.
“Quando a gente começou, era quase um ritual entre amigos”, relembra Péricles Monteiro. “Nossa missão sempre foi levar alegria, fazer um contraponto a esse peso todo do mundo:guerras, crises, tensões. O carnaval é um espaço de felicidade genuína, de encontro, de cultura viva. Mas a gente sempre teve cuidado com o lugar onde isso acontece.”
Esse cuidado, no entanto, passou a conviver com tensões crescentes nos últimos anos.
A expansão do carnaval de rua ampliou o acesso à festa, mas também trouxe impactos significativos para bairros residenciais como Santa Teresa
, caracterizados por ruas estreitas, circulação limitada e infraestrutura fragilizada.
Moradores relatam a ocupação intensa do bairro por blocos não oficiais, muitos deles semplanejamento ou diálogo com a comunidade local.
Fonte: Agência Brasil – EBC