quinta-feira, setembro 17, 2026
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Dia dos pais: combate à misoginia começa pelo exemplo em casa

Dia dos pais: combate à misoginia começa pelo exemplo em casa

Do gol a gol para o pique-pega. Do esconde-esconde ao skate, depois para o balançoe, em seguida, para a queimada. “Samuca, vem almoçar!”, alguém grita. “Só mais um pouco”, responde o menino, de 8 anos. Mais corrida, pique-bandeirinha e começa tudo de novo. O menino não se cansa, enquanto vive a pureza e a velocidade da infância. Só parou um dia das férias para levar um papo mais sério com o pai.

Era para falar de uma conversa que teve com um amigo, em que os dois riram porque viram um pouco demais do corpo de uma amiguinha. O pai, o goianiense Cleomar Barros, de 43 anos, morador de Brasília, recorda que precisou falar sério. Disse que era preciso respeitar as meninas, como sempre tratou a irmã, de 11 anos. E que não se deve dar risada. O menino concordou e o abraçou.

“Faço questão sempre de mostrar que devemos ser parceiros e amigos”, diz Cleomar, que é analista de sistemas. Ele destaca que tenta mostrar ao filho gestos de cuidado e respeito que tem com a esposa e com a filha.

Aliás, a “educação pelo exemplo” é, segundo profissionais que estudam e trabalham com temas ligados à “masculinidade saudável”, uma chave para que os pais atuem contra a misoginia dentro de casa, segundo afirmaram em entrevistas à Agência Brasil

. Cada passo contra o machismo em casa (ou em qualquer outro espaço) pode representar bem mais do que um presente de Dia dos Pais (que é só uma vez ao ano).

Em um cenário de tantas violências, de estupros coletivos a demonstrações de grupos masculinistas que demonstram ódio às mulheres, a ação afetiva dos pais no tempo presente pode ser preventiva.

Mais conscientes, pais podem agir pela consciência dos meninos, ser mais parceiro das escolas ecobrar políticas públicas que tragam condições civilizatórias.

“As maiores e mais eficazes formas de aprendizado de uma criança se dão por meiodo modelo que o pai apresenta”, afirma o psicanalista Thiago Queiroz, que tem uma página intitulada “

, com mais de 324 mil seguidores, e é autor do livro

.No instagram, a página pode ser vista

Ele, que atua no Rio de Janeiro, diz que o respeito às mulheres precisa ser naturalizado em todos os espaços que frequenta com as crianças. “Esse processo é interpretado pela criança, pelo filho, à medida que vai crescendo”, acrescentou.

Para Cleomar, a qualquer momento, é necessário observar se os meninos fazem comentários inadequados sobre as meninas. “Existem muitos livros infantis que trazem esse assunto deforma lúdica para naturalizar a força das mulheres e que não precisam de um príncipe encantado para salvá-las sempre”. Na pré-adolescência, já é possível, segundo ele, tratar do temaviolênciacontra as mulheres.

A psicóloga Bárbara Lobato, que atua em Brasília com famílias, concorda com a intervenção positiva. Ela tem observado que aumentouo número de pais atentos ao combate à misoginia. “É uma construção que tem deser feita de forma cotidiana”.

Para Bárbara, é muito importante que os homens saibam, na vida adulta, identificar e falar sobre as suas dores para que possam transmitir as melhores mensagens aos filhos, de forma que estejam abertos ao diálogo, à transparência e à conexão.

“É importante observar que garotos em idade de adolescência têm as próprias dores e, eventualmente, relatam algum tipo de negligência afetiva ou social por não se sentirem compreendidos”.

Fonte: Agência Brasil – EBC

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