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Dia Nacional do Livro: literatura abre espaço para diálogo e convivência na CMFor

quinta-feira, novembro 5, 2026

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Uma crônica sobre a relação entre pai e filho foi suficiente para transformar um encontro de leitura em um momento de emoção. Ao entrar em contato com O dia do meu pai, de Vinicius de Moraes, na edição de agosto de 2025 do Câmara de Leitura, Francisco Wellington da Silva Lima, auxiliar de serviços gerais lotado na Divisão de Expediente e Projetos da Câmara de Fortaleza (CMFor), revisitou sentimentos e memórias. “Foi através dessa leitura que eu compreendi que eu evitava falar desses assuntos sentimentais. Ali, muitos de nós desabamos em choro, carregando o peso de tudo o que poderia ter sido feito e não foi feito”, relata Wellington.

A experiência o fez perceber como a literatura pode abrir espaço para conversas que, muitas vezes, ficam guardadas. “A partir da minha vivência no Câmara de Leitura eu passei a conversar mais sobre literatura e leitura, seja em rodas de amigos, no setor de trabalho ou junto à família. E eu também aprendi a enxergar a vida como ela é, com desafios e perspectivas”, esclarece Wellington.

IX Encontro Câmara de Leitura – FT ZeRosa Filho

No Dia Nacional do Livro, celebrado em 29 de outubro, histórias como a de Wellington mostram que a leitura vai muito além do contato com as palavras: ela desperta emoções, resgata memórias e fortalece vínculos. Na CMFor, o projeto Câmara de Leitura transforma essa experiência em oportunidade de aproximação. Criada em abril de 2025, a iniciativa da Escola do Parlamento (EPFor) em articulação com a Biblioteca José de Alencar incentiva o hábito de ler e mostra como os livros podem fazer parte do cotidiano e inspirar conversas.

Raíssa Rocha, do Cerimonial, já cultivava o hábito da leitura e participava de um clube do livro online com amigos de outras cidades. Ela conta que o convite para integrar o Câmara de Leitura foi uma oportunidade de compartilhar o gosto pela leitura com os colegas, estreitar laços e descobrir afinidades no ambiente profissional. Para ela, o projeto ampliou não apenas seu repertório literário, mas também suas relações dentro da instituição.

Leitura que aproxima

Raíssa conta que um dos aspectos mais marcantes dos encontros é ouvir os relatos dos participantes mais idosos. Para ela, essas falas trazem reflexões sobre valores essenciais e ampliam o olhar sobre as diferentes experiências humanas. “São falas que sempre vêm carregadas com uma reflexão sobre as coisas que realmente importam na vida”, destaca.

A origem do Câmara de Leitura está justamente na percepção de que os livros poderiam aproximar pessoas para além das atribuições profissionais. Segundo o analista legislativo Marco Vasconcelos, da EPFor, a ideia surgiu de conversas entre leitores nos corredores da CMFor, que identificaram nos livros uma oportunidade de convivência. “A partir dessas trocas espontâneas, percebemos que os livros não apenas despertam a imaginação e ampliam nosso olhar sobre o mundo, mas também criam oportunidades de diálogo, identificação e compartilhamento de experiências”, afirma Marco.

Desde a criação, os encontros têm favorecido conversas sobre experiências pessoais. Entre os assuntos que surgiram, Marco destaca conversas sobre a perda de pessoas queridas, os desafios da maternidade e as relações afetivas com diferentes lugares de Fortaleza.

Para Marco, essas discussões demonstram que a literatura pode funcionar como ponto de partida para conversas que dificilmente aconteceriam na rotina de trabalho. “Mais do que estimular o contato com a literatura, o projeto procura criar um espaço de convivência, escuta e diálogo para além das atribuições profissionais. Acreditamos que a leitura também pode humanizar as relações no serviço público e fortalecer o sentimento de pertencimento à instituição”, relata.

A expectativa é ampliar o alcance do projeto e levar as atividades para outros espaços da cidade. A iniciativa já começa a ultrapassar os limites da CMFor, com encontros junto ao Lar Torres de Melo e atividades em parceria com a Associação Rosa Virgínia. “Quando compartilhamos uma leitura, compartilhamos também formas de ver, sentir e compreender o mundo”, ressalta o analista legislativo.

Em um cotidiano marcado pela presença constante das telas, Marco considera que todas as formas de leitura devem ser valorizadas: livros físicos, livros digitais e audiolivros ampliam as possibilidades de acesso à literatura e oferecem diferentes experiências. Marco destaca, porém, a relação com o livro físico.

“O livro físico possui uma materialidade sensível muito própria: a temporalidade do passar das páginas, o contato com o papel e as marcas que deixamos durante a leitura, como as anotações nas margens e os trechos sublinhados. São registros que guardam não apenas a história lida, mas também um pouco da nossa própria história. Essa dimensão dialoga diretamente com o Câmara de Leitura. Quando compartilhamos uma leitura, compartilhamos também lembranças, sentimentos e diferentes formas de compreender o mundo”, defende Marco.

Biblioteca: acesso e descoberta

Além dos encontros do Câmara de Leitura, a CMFor conta com a Biblioteca José de Alencar, que reúne um acervo diversificado de obras literárias e livros técnicos. Segundo a bibliotecária Pricila Celedonio, entre os empréstimos realizados o destaque é a literatura, especialmente a brasileira, embora os interesses dos leitores contemplem diferentes gêneros e áreas.

De acordo com Pricila, a presença da literatura entre os títulos mais procurados demonstra que a leitura literária faz parte do cotidiano dos servidores. Ela acrescenta que a promoção do acesso aos livros está entre as principais funções da biblioteca. “Promover acesso ao livro e à leitura é uma das principais razões de ser de uma biblioteca. Ao realizar ações que despertem o interesse pela leitura na CMFor, a biblioteca contribui para a formação de leitores, o enriquecimento cultural e intelectual dos servidores”, relata Pricila.

A biblioteca também participa do Câmara de Leitura, colaborando para a realização de atividades que articulam textos e dinâmicas relacionados a questões humanas e sociais. Segundo Pricila, ao longo do projeto, foi possível perceber uma maior aproximação entre os participantes. “Foi possível observar o fortalecimento dos vínculos entre os servidores participantes, o que reforça a compreensão da leitura como uma experiência capaz de ampliar conhecimentos, estimular reflexões e promover a integração no ambiente institucional”, reforça.

A bibliotecária acrescenta que, em um contexto de uso crescente das telas e de consumo rápido de informações, o livro físico representa uma oportunidade de desacelerar. “Em contraste com a velocidade e a fragmentação que caracterizam boa parte do consumo de conteúdos digitais, o livro impresso convida à desaceleração e à imersão na leitura”, afirma. Para ela, o contato com o livro impresso permite ao leitor elaborar ideias e dedicar tempo às palavras.

“Reservar um momento para a leitura de um livro físico pode representar uma oportunidade de afastamento das notificações e das constantes interrupções do ambiente digital, permitindo maior disponibilidade para a reflexão e para a imaginação”, afirma Pricila.

O prazer de descobrir histórias

Essa experiência de aproximação com os livros também se revela nas escolhas dos leitores que frequentam a Biblioteca José de Alencar. É o caso de Gleydielle Araújo, do setor de Gestão de Inclusão, que recentemente pegou emprestado na Biblioteca o romance Simplesmente Acontece, da escritora irlandesa Cecelia Ahern. Interessada pelo gênero, Gleydielle conta que encontrou no serviço de empréstimo a oportunidade de conhecer novas histórias.

Embora ainda esteja no início da obra, Gleydielle diz que procura reservar momentos ao longo do dia para ler, mesmo que apenas 15 minutos por vez. “No meu dia a dia, eu sempre procuro ler livros. De vez em quando eu tiro um tempinho para ler e passo pelo menos quinze minutos com algum livro”, conta Gleydielle.

Para ela, a leitura é uma forma de ocupar a mente, organizar o cotidiano e ampliar conhecimentos. “Sou muito interessada em livros e muito interessada em ler, principalmente romances. A leitura vem ampliando a minha maneira de enxergar o mundo”, afirma. O interesse pela leitura também despertou em Gleydielle o desejo de registrar as próprias vivências em um livro, reunindo lembranças pessoais e familiares. “Estou começando a criar um livro, contando a minha história, a história da minha família, até quando eu comecei a trabalhar na Câmara dos Vereadores”, relata.

Na CMFor, as experiências são diferentes, mas compartilham um ponto em comum: os livros podem ser uma oportunidade de descoberta e aproximação. Iniciativas como o projeto Câmara de Leitura e os serviços da Biblioteca José de Alencar mostram que os livros podem abrir caminhos para o diálogo e a convivência, tornando a leitura parte da vida dentro e fora do ambiente de trabalho.

Serviço

Câmara de Leitura
Projeto da EPFOR, em parceria com a Biblioteca José de Alencar, voltado ao incentivo à leitura e ao compartilhamento de experiências entre funcionários da Câmara de Fortaleza. Os encontros acontecem mensalmente, às sextas-feiras, a partir das 13h, na Biblioteca José de Alencar, localizada na avenida Rogaciano Leite, 1040, Guararapes (anexo da CMFor).

Biblioteca José de Alencar
Equipamento da CMFor aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, sem necessidade de agendamento prévio. Os visitantes podem consultar o acervo presencialmente, com acesso direto às estantes, utilizar computadores e usufruir de um ambiente climatizado para estudos. O serviço de empréstimo de livros é exclusivo para o público interno da CMFor, incluindo servidores, assessores, vereadores e funcionários. Telefone: (85) 3444-8411. Localização: Anexo da CMFor, avenida Rogaciano Leite, nº 1040.

Fotos: Luciano Melo, ZeRosa Filho e Érika Fonseca



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