Em alusão ao Setembro Verde, mês
dedicado a conscientização e luta pela inclusão da pessoa com deficiência, o
Espaço Evoluir realizou uma roda de conversa voltada para a troca de
experiências, aprendizado e valorização das diferenças. O encontro reuniu mães,
familiares e profissionais para discutir caminhos de autonomia e inclusão,
destacando o esporte como uma potente ferramenta de desenvolvimento para
crianças atípicas e pessoas com deficiência.
A coordenadora do Espaço Evoluir, Dra. Cinthya Viana, explicou que a iniciativa surgiu a partir das demandas identificadas nos grupos de apoio aos pais, que buscam orientações de qualidade e perspectivas reais para o futuro de seus filhos.
“Essa palestra está
acontecendo dentro do grupo de pais porque percebemos a necessidade deles de
obter informação e ampliar as possibilidades futuras. Trazer uma pessoa com
deficiência para dar o depoimento sobre suas conquistas representa uma ação de
inclusão e de acolhimento para com essas famílias assistenciadas”,
destacou a coordenadora.
Dra. Cinthya ressaltou ainda o
impacto das referências positivas no processo terapêutico e social das crianças.
“Essa troca de experiência é fundamental para que o pai veja que o outro
também conseguiu e pense que seu filho também pode. Trazer o trabalho esportivo
hoje mostra que o esporte não trabalha só a saúde, como também trabalha o
comportamento, a cognição e a percepção corporal, que é fundamental para as
crianças com autismo”, disse a coordenadora.
A roda de conversa contou com a
participação de David Xavier, especialista em atividade física adaptada à
inclusão e técnico da Seleção Brasileira de Futebol de Cegos (com trajetória
também em modalidades como o futebol para amputados e power wellchair soccer).
Durante sua fala, David ressaltou a importância de permitir que as crianças
vivenciem experiências e descubram o próprio potencial.
“É preciso que as mães
entendam o processo de formação da criança, independente de ter deficiência ou
não. A gente tem que se permitir. Mães e pais precisam permitir que seus filhos
criem seus próprios mundos e entendam o seu processo”, afirmou o
especialista.
Para David, a prática esportiva vai
além do rendimento físico. “O esporte permite que você seja você. A partir
do momento em que você começa a se perceber no esporte, a conhecer seu corpo,
suas possibilidades e potencialidades, você se reconhece como pessoa. Isso é
transformador.”
O encontro trouxe também o depoimento de Rayana Santos, atleta de Futebol para Amputados. Rayana compartilhou sua trajetória após perder a perna em um acidente de moto e como o esporte ressignificou sua vida.
“O esporte para mim foi um
salva-vidas. Eu nunca pensei em praticar esportes antes do acidente e foi uma
oportunidade que surgiu depois. Estar no futebol me faz sentir em casa, livre
para ser quem eu sou. No dia a dia, ainda vivemos sob olhares de pena, mas no
meio do esporte nos sentimos acolhidos e representados”, relatou a atleta.
Para os familiares que participaram do encontro, a roda de conversa proporcionou um espaço seguro para esclarecer dúvidas e compartilhar sentimentos. Edilene Fernandes, mãe do pequeno Vitor Emanuel, de 8 anos, destacou o impacto do momento em sua jornada de cuidado. “Foi um momento de muito proveito. Tirei dúvidas, abri meu coração e vi que não estou só. O autismo ainda carrega muito preconceito, mas hoje vi que existe um mundo aberto. Aqui no Espaço Evoluir a gente é muito bem acolhida e nos mostra outros horizontes”, finalizou Edilene.
Fotos: Larissa Nobre.
