A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) anunciou, nesta terça-feira (23), o programa completo de sua 24ª edição, de 22 a 26 de julho, que terá a poeta Orides Fontela como homenageada. Entre os destaques, estão a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF); Milton Hatoum, eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) no ano passado; e a angolana Ana Paula Tavares, vencedora do Prêmio Camões 2025.
Ao todo, são 21 mesas literárias no programa oficial, com a curadoria literária de Rita Palmeira.
Autores nacionais e internacionais vão discutir questões do mundo contemporâneo, como as guerras, as migrações forçadas, transformações políticas e sociais, os conflitos geracionais e identitários.
Nesta edição, uma escolha relevante foi por ampliar a diversidade geográfica e cultural dos convidados, reunindo escritores de diferentes países e trajetórias, inclusive em situação de exílio.
Parte significativa dos autores, segundo destacou a curadoria, convida os leitores a pensar na casa – como metáfora que abarca a família ou o país – como território instável.
Nomes que refletem essa decisão curatorial incluem Hisham Matar, nascido nos Estados Unidos e de origem líbia, cujo pai foi sequestrado e mantido em uma prisão na Líbia devido à oposição ao regime de Muammar Gaddafi; e a luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, que traz a experiência diaspórica africana.
Segundo a curadoria, esse desenraizamento que percorre os autores da edição remete ao momento político contemporâneo, mas também ao “bem-vindo universo de instabilidade da palavra, característico da poesia”.
Há ainda, entre os convidados internacionais, a mauriciana Nathacha Appanah, a congolesa Ève Guerra, a argentina Julieta Correa, a catalã Eva Baltasar, a alemã Carmen Stephan, a inglesa Zadie Smith, o argelino Kamel Daoud e o guatemalteco Eduardo Halfon.
No que diz respeito à vida de Orides Fontela, homenageada deste ano, a curadoria ressalta que a precariedade material enfrentada por ela ao longo dos anos deixou-a sem casa, no sentido literal do termo. Diante disso, a
decisão de reunir autores que escrevem a partir da instabilidade foi uma forma de honrar a memória de Orides e de sua poesia.
A poeta renovou o Modernismo e abriu as portas para a contemporaneidade, mencionou a curadoria. Orides Fontela (1940-1998), natural de São João da Boa Vista, São Paulo, tem a obra conhecida pelo rigor formal com a língua e pela recepção entusiasmada da crítica.
, vencedor do Prêmio Jabuti em 1983, e
, que lhe rendeu prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) em 1996. Em 2026, a Editora Hedra relança as obras da autora.
A literatura brasileira de autoria feminina, tanto em prosa quanto em poesia, ocupa lugar de destaque na programação, com escritoras importantes desta geração, como Andrea del Fuego, Paulliny Tort, Bethânia Pires Amaro, Mateus Baldi e Paloma Vidal.
A Flip e o Centro de Pesquisa e Formação do Sesc-SP realizam pelo décimo ano consecutivo o Ciclo da Autora Homenageada, na capital paulista, entre os dias 25 e 27 de junho.
Fonte: Agência Brasil – EBC
