quarta-feira, março 18, 2026
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Fogos de artifício acarretam sofrimento físico e risco para animais

© Prefeitura do Rio/Subvisa/Nelson Duarte

Enquanto a audição humana consegue distinguir sons que vão até uma frequência máxima de 20 mil hertz (Hz), os cachorros podem captar até 40 mil Hz e os gatos até 65 mil Hz. Daí a preocupação do presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), Diogo Alves, em relação aos impactos negativos que os fogos de artifício nas festas de fim de ano podem acarretar para os animais.

Embora as grandes aglomerações e as queimas de fogos façam parte da tradição do Réveillon, para os animais, esse período pode significar sofrimento físico, pavor e risco real de acidentes

“Porque o som alto e repentino, quando o cão ou o gato escutam, eles interpretam como se fosse um estímulo potencialmente ameaçador, que leva a um forte estresse e pode até relacionar com uma combinação de fatores sensoriais também, emocionais e comportamentais”.

De acordo com Diogo Alves, isso leva a uma fobia sonora, uma vez que o animal tem o poder de potencializar os sons. “Ouvem o dobro dos sons de um ser humano. E nos gatos isso é ainda maior”. Desse modo, o ideal seria os tutores começarem a fazer uma preparação prévia, para garantir maior segurança para os pets, não só na semana do Natal e do Ano Novo, mas também do carnaval, sugeriu.

“Porque o animal tem que ter uma rotina super harmoniosa dentro de casa. Você pode tentar fazer com que o animal tenha brinquedinhos em casa, que podem funcionar até como uma ferramenta emocional para ele, porque vai ajudar a canalizar a energia, estimular o foco no brinquedo e ser algo positivo que vai fazer ele se desligar dos estímulos externos. Isso é muito importante também”.

Os responsáveis devem se preparar com antecedência, deixando ambientes mais seguros, como cômodos fechados, cortinas fechadas e isolamento acústico improvisado, que ajudam a reduzir o impacto do som. Sons constantes, como televisão ou música em volume moderado, podem funcionar como barreira sonora.

Como cães e gatos possuem audição muito mais sensível que a humana, o barulho dos fogos pode desencadear reações como pânico, tentativas de fuga, tremores, salivação excessiva, automutilação e acidentes graves, como quedas de janelas e muros durante tentativas desesperadas de escapar do barulho. Com a fuga, podem acabar sendo atropelados nas ruas. O presidente do CRMV-RJ alerta que os efeitos do estresse provocado por explosões sonoras não são apenas comportamentais. Os animais sujeitos a esse tipo de estímulo podem apresentar taquicardia, aumento da pressão arterial, desorientação e crises convulsivas. Em situações extremas, o quadro pode levar ao óbito do animal.

“A liberação de adrenalina é tão alta que pode ocorrer uma parada cardíaca em decorrência da convulsão e do choque”. Diogo Alves não recomendou também prender os animais em coleiras porque isso pode acabar provocado enforcamento. “Isso é muito pior porque o animal sente medo, vai tentar pular, acaba sendo enforcado e muitos morrem”.

Para os gatos, em especial, Diogo Alves lembrou que uma opção são os feromônios em forma de spray. Feromônios para gatos são compostos químicos (naturais ou sintéticos) que imitam os sinais de bem-estar e segurança que os gatos liberam, ajudando a acalmar, reduzir estresse, ansiedade, e facilitar adaptação a novos ambientes ou outros pets. Outra dica importante, segundo o médico veterinário é controlar as entradas da casa, manter a porta do animal sempre fechada.

“Muito cuidado com convidados, que ficam entrando e saindo dentro da casa da pessoa. E, aí, podem deixar a porta aberta e o bicho fugir”.

Segundo Alves, é necessário um controle muito grande “porque os animais merecem esse cuidado mesmo”. Envolvê-los em mantas, por exemplo, ajuda a aliviar o estresse.

“O contato da pele animal com a do ser humano faz com que ele se sinta mais seguro. Isso é muito importante”. Esse hábito, que muitas pessoas chamam de “tail in touch”, termo inglês que significa toque do pano, “ameniza essa fobia, estimula a liberação de hormônios para reduzir o estresse do bichinho. É importante, sim”.

Em relação a medicações, o presidente do CRMV-RJ alertou que o uso de ansiolíticos só deve ser prescrito por um médico veterinário. “Porque cada caso é um caso”. O mesmo ocorre quanto à possibilidade de sedação. “A sedação é só com orientação veterinária mesmo. Porque tem muita gente que ouve e quer fazer uma coisa desse tipo e não pode, não deve fazer. Com a internet, todo mundo é curioso, todo mundo se acha professor”, criticou. Além disso, o uso indiscriminado desses remédios também pode causar efeito colateral grave. “O sucesso e o prejuízo são a dose que é ministrada”, salientou.

Outra coisa importante é não alimentar o animal perto dos horários dos fogos porque, com a agitação, ele pode sofrer engasgos. Embora a queima de fogos se intensifique na hora da virada, tem pessoas que desde a manhã do dia 31 já estão soltando fogos, lembrou Diogo Alves. Como o calor está muito forte, outra recomendação é hidratar bastante o animal

Fonte: Agência Brasil – EBC

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