quarta-feira, setembro 23, 2026
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Instalação no Sesc Pompeia denuncia marcas do tráfico de escravizados

Instalação no Sesc Pompeia denuncia marcas do tráfico de escravizados

As marcas do tráfico transatlântico de africanos escravizados,

consideradopela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas como o crime mais grave já praticado contra a humanidade

, que pode ser visitada a partir desta terça-feira (22) no Sesc Pompeia, em São Paulo.

Durante cerca de 400 anos, milhões de africanos foram sequestrados e vendidos como mercadorias em colônias de nações europeias, crime que continuou a ser cometido mesmo após a independência de algumas delas.

O Brasil foi o principal destino desses escravizados

. Por meio de muita violência e dos chamados navios negreiros, mais de 4,8 milhões de escravizados atravessaram o Oceano Atlântico para o trabalho forçado no Brasil.

E é isso que nos lembra a obrada artista portuguesa Grada Kilomba, que lança uma provocação ao público: o que o fundo do oceano nos diria se fosse esvaziado de água hoje?

“O Barco vem mostrar aquilo que estava no fundo de muitos barcos que aparecem nos monumentos da Europa e da América Latina e que glorificam uma história, que contam a história com glória, como um descobrimento, como uma expansão e como algo romântico e glorioso. Como artista, me interessa muito questionar o que é essa glória e o que esses barcos gloriosos traziam no fundo”, disse a artista, em entrevista à

“Se esvaziássemos a água, o oceano e a terra em si iriam revelar uma série de trilhões de passagens de corpos humanos, não só no passado, mas no presente, em uma repetição da violência cíclica”.

A obra escultórica e performática criada por Grada Kilomba é composta por 134 blocos de madeira queimada que são dispostos em uma área de 220 metros quadrados, com extensão de 32 metros de comprimento

A peça desenha a silhueta do fundo de uma grande embarcação e, com isso, busca revelar a arquitetura do espaço criado nos porões dos navios negreiros para acomodar os corpos de milhões de pessoas africanas escravizadas.

é resultado de uma extensa pesquisa da artista em botânica, história e travessias transatlânticas. Também tem inspiração na tragédia de

em que Etéocles e Polinices, filhos de Édipo, se matam após uma luta pela disputa do poder em Tebas. Segundo a mitologia grega, Creonte assume o trono e ordena que Etéocles seja enterrado com honras de herói, mas proíbe o sepultamento de Polinices.

] também vem em sequência dessa obra

, que questiona quem é que pode ser enterrado e quem não, quem é que pode ser lembrado e tem um lugar para ser chorado e para ser celebrado e quem não”, explicou a artista. “Não é por acaso que as histórias são esquecidas e proibidas de serem recordadas, de serem ritualizadas e lembradas porque isso produz memória”.

Fonte: Agência Brasil – EBC

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