domingo, março 15, 2026
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Internos da Unidade Prisional Irmã Imelda participam de projeto desenvolvido por estudantes da UFC




Internos da Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes (UP-Imelda) participaram de um projeto artístico-pedagógico desenvolvido por estudantes do curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Ceará (UFC), que promoveu oficinas teatrais em um espaço de educação não formal, utilizando a arte como instrumento de expressão, diálogo e aprendizagem. As atividades foram finalizadas no último dia 23.

A iniciativa integra uma proposta acadêmica voltada à execução de projetos artístico-pedagógicos em instituições diversas, como ONGs, associações, fundações e outros espaços que possibilitam o desenvolvimento do teatro para além do contexto da educação básica formal, envolvendo diferentes públicos e realidades sociais. O grupo de teatro formado pelos internos foi escolhido como objeto de estudo do projeto após uma apresentação realizada no Teatro José de Alencar, que motivou a aproximação institucional entre a universidade e a unidade prisional.

O projeto foi estruturado em três dias de oficinas, com o objetivo de culminar na criação de uma photoperformance a partir do uso de máscaras, no contexto do teatro. No primeiro dia, foi realizada uma roda de conversa, dedicada à escuta dos internos, que puderam compartilhar suas percepções sobre o teatro e suas expectativas em relação às atividades. Também foram desenvolvidos jogos teatrais, utilizados como introdução à temática trabalhada ao longo do processo.

No segundo encontro, os participantes confeccionaram máscaras teatrais, orientados por uma questão norteadora: “o que a máscara expressa da sua identidade em relação à forma como você acredita ser percebido fora da unidade prisional?”. Cada interno recebeu uma máscara branca e, com o uso de materiais como tintas, fitas, lantejolas e miçangas, pôde expressar artisticamente sua identidade e a maneira como se percebe ou acredita ser visto pela sociedade.

O terceiro e último dia foi dedicado à finalização do processo criativo. As máscaras retornaram como elemento central das atividades, agora associadas a figurinos, maquiagens, jogos teatrais e ações corporais. A partir dessa composição, foram criadas matrizes corporais e imagens performáticas, articuladas com palavras-chave e gestos que expressam reflexões sobre identidade, percepção interna e externa e modos de existir e se apresentar ao mundo.

A ação reforça o teatro como ferramenta de escuta, criação e ressignificação, além de evidenciar o papel da universidade na promoção de práticas educativas em contextos diversos, ampliando os sentidos do ensino e da aprendizagem por meio da arte.

O estudante de Licenciatura em Teatro da UFC, Davi Kitanda, explica o que o motivou a escolher o grupo de internos do sistema prisional como foco do projeto. “A motivação para desenvolver o projeto surgiu após assistirmos a uma apresentação do grupo de teatro formado por internos e internas no Teatro José de Alencar, durante o Festival de Teatro Transcendental. A partir dessa experiência, eu e outra colega ficamos instigados a pesquisar e construir a possibilidade de realizar as oficinas na unidade. Foi um processo muito gratificante, que reforçou para mim como a arte pode alcançar todas as pessoas e atuar como ferramenta de educação, expressão e ressocialização, contribuindo para novas perspectivas de vida”, destacou.

O diretor da Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes (UP-Imelda), Castro, ressaltou a importância da iniciativa. “Foi muito significativo para o grupo Falando Portugays a apresentação realizada no Teatro José de Alencar, que despertou o interesse e a sensibilidade dos estudantes e do professor da UFC para a realidade vivida pelas internas da unidade. Receber a universidade aqui, com três dias de oficinas e atividades artísticas, foi uma experiência muito positiva. A ação também se soma às atividades do mês da visibilidade trans, que culminará com a apresentação de um espetáculo teatral para toda a unidade. A UP Imelda segue de portas abertas para instituições e projetos sociais que contribuam com o processo de ressocialização por meio da arte e da educação”, afirmou.

A interna e produtora do grupo de teatro Falando Portugays, Gil Nogueira, celebrou a participação no projeto. “Neste mês alusivo ao Dia Nacional da Visibilidade Trans e Travesti, celebrado em 29 de janeiro, vivenciamos um momento muito importante na unidade. A direção tem fortalecido a Escola de Teatro Falando Portugays com a chegada do professor e de estudantes da UFC, que vieram realizar oficinas e contribuir com a nossa preparação artística. Essa iniciativa fortalece o trabalho que já vem sendo desenvolvido e amplia as possibilidades para a temporada de apresentações teatrais realizadas na unidade”, concluiu.



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