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Mães do Corre: o segmento feminino que sustenta a casa e movimenta a economia cearense




Quando a maternidade é marcada pelo desafio de equilibrar a chefia do lar com a busca por autonomia financeira em um mercado excludente

Muito antes do sol se pôr, a rotina de milhões de mulheres já atravessou diversas fronteiras: o cuidado com os filhos, a gestão da casa e a busca incessante pela renda. Para além da celebração festiva deste domingo, o Dia das Mães convida a uma reflexão sobre o papel da mulher como principal arrimo de família.

De acordo com o último levantamento feito pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc), em 2022, das 72 milhões de unidades domésticas do Brasil, 49 % tinham responsáveis do sexo feminino. Se comparado ao Censo de 2010, o dado apresenta um aumento do número de mulheres chefes de família, quando o percentual de homens responsáveis (61,3%) era substancialmente maior do que o percentual de mulheres (38,7%). Num recorte por estado, o Ceará ocupa o ranking das dez unidades da federação onde o número de mulheres responsáveis pela casa foi maior que 50%, com 52,6% do indicador.

Nos últimos anos, o governo brasileiro intensificou a criação de mecanismos legais para combater a desigualdade de gênero no mercado de trabalho. Medidas como a Lei da Igualdade Salarial (14.611/2023) que estabelece que mulheres e homens recebam salários iguais ao exercerem a mesma função, ocupam um papel essencial para a garantia da paridade salarial entre os gêneros.

Com relação à participação feminina nas vagas geradas no Ceará, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 42,4% das ocupações geradas no período de 2023 a março de 2026, foram preenchidas por mulheres.

O levantamento aponta ainda, que a força de trabalho feminina encontra maior participação nos setores de comércio e serviços, áreas que tradicionalmente sustentam a economia nos principais centros urbanos brasileiros.

Diante das dificuldades de inserção no mercado de trabalho, o empreendedorismo surge não apenas como um sonho de liberdade, mas como uma estratégia de combate ao desemprego. É na criação de novos negócios, por vezes nascidos na cozinha de casa, que essas mulheres encontram a força para prover o futuro dos filhos, equilibrando a balança entre a necessidade financeira e o desejo de estar presente.

O secretário do Trabalho do Ceará, Vladyson Viana, destaca que é papel do estado ser indutor de políticas públicas geradoras de justiça social e oportunidades iguais para todos. “Nosso papel enquanto gestores públicos é criar alternativas para não deixar essas mães à mercê da informalidade precária. Políticas como o Ceará Credi, onde a maioria esmagadora das beneficiárias são mulheres, mostram que quando o governo oferece o suporte necessário, seja por meio do crédito orientado ou da qualificação profissional, ele não está apenas apoiando um negócio, está garantindo a dignidade de uma família inteira”.

Dados do Programa Ceará Credi do Governo do Ceará referente ao período de 2021 a abril de 2026, indicam que entre as pessoas que recorrem à política de microcrédito, 73% são mulheres. Entre estas, 52% são provedoras do próprio lar e, em sua maioria, usam o crédito para fortalecer empreendimentos já existentes (89%).

Para o presidente do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), os indicadores do Ceará Credi revelam a importância do programa como ferramenta para a autonomia financeira feminina.

A trajetória de Débora Evelyn Camelo de Sousa, 39 anos, reflete a realidade de milhares de cearenses que transformam desafios em combustível para o trabalho.

Após a separação, Débora viu-se sozinha com quatro filhos pequenos e a total dependência financeira do ex-marido. Sem benefícios sociais na época e com o coração partido por ter de deixar os filhos sozinhos para trabalhar no mercado formal, ela alimentou o sonho de ser dona do próprio destino.

“Meus filhos eram muito pequenininhos e eu fiquei sem pé nem mão, sem saber como eu ia seguir. Porque naquele tempo eu era totalmente dependente dele. Aluguel, comida, tudo”, relembra Débora sobre o período de maior dificuldade.

A virada de chave aconteceu através do Ceará Credi. Em um momento em que a empreendedora já havia perdido a esperança, o programa do governo surgiu como o suporte necessário. Com o crédito orientado e o incentivo da coordenação do programa, Débora conseguiu formalizar seu negócio e expandir sua atuação.

“Eu sempre tive um sonho de empreender, um sonho de ter o meu sustento, de não depender de ninguém. De buscar isso pra mim e pra minha família”.



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