O segredo mais bem guardado do grupo Brilhetes de Anchieta está perto de ser revelado. Falta menos de uma semana para a saída da turma de bate-bolas, de 38 meninas e mulheres, nesta sexta-feira (13), quando será conhecidaem detalhestoda a indumentária do grupo. A fantasia foi preparada com a máxima discrição ao longo de seis meses.
Os bate-bolas são turmas de mascarados que usam fantasias temáticas ricas em cores e brincam o carnaval nas ruas do subúrbio do Rio de Janeiro.
Parte indispensável da fantasia é a bola de borracha amarrada em um bastão.
Eles se tornaram uma das principais expressões artísticas do carnaval. Bem diferente de antigamente, não assustam mais nem correm atrás de crianças, embora o som das bolas de borracha batendo no chão continue o mesmo.
Atualizando a tradição,quando o portão da garagem do quartel-general das brilhetes se abrir, ao som de fogos e muito funk, as bate-bolas desfilarão pela rua exibindo a fantasia do 13º ano.
Ali, estarão desde crianças de 3 anos até mulheres de 58 anos, com diversas ocupações
: professora, cuidadora, técnicaem enfermagem, bombeira, estudante, pesquisadorade instituições culturais, entre outras.
A produtora cultural e líder das brilhetes,Vanessa Amorim, fundou o grupo em 2013. Antes, ela desfilava como bate-bola na Turma do Brilho, do sogro, fundadaem 1991 e hoje administradapelo marido.
Com o passar o tempo, contou, ela e outras mulheres decidiram disputar a rua.
“Eu sempre via as meninas ajudando [os companheiros], levando bandeira, olhando criança, e eles àfrente. As mulheres ficavam sempre na posição de mãe e esposa e nunca como brincante”.
O grupo tornou-se também uma forma de desenvolver laços. Alexandra Cunha, de 44 anos,mãe de três filhos, conta que as brilhetes se tornaram suasegunda família.
“É uma emoção grande fazer o que você vai vestir. Gliterar, pregar os lacres nas casacas, o buá…”, disse a dona de casa. “No dia da saída, com o bate-bola pronto, a gente chora de emoção”.
A estudante Ana Júlia Guimarães, de 17 anos, vai desfilar pela primeira vez, junto com a mãe.
“Quando eu era pequena, eu tinha muito medo de bate-bola, mas, há três anos, minha mãe entrou na turma e eu vim juntou”, contou.
A adolescente conta quetrabalha com prazer no barracão. “O processo de montar as roupas, a saída, é uma experiência muito legal”.
Fonte: Agência Brasil – EBC