Manifestação tradicional dos Guerreiros Tupinikim abriu a programação da 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, promovida pelo Ministério da Cultura (MinC), nesta terça-feira (19).
Em uma grande roda, o público acompanhou a apresentação, com música e dança tradicionais, de cerca de 40 integrantes de diferentes gerações da etnia Tupinikim. O grupo vive na aldeia Irajá, um dos 12 territórios indígenas do município de Aracruz (ES), que está sediando o evento nacional.
“Os nossos cânticos vêm dos nossos antepassados, alguns com as letras novas, contando a nossa história. Eram os cantos que a gente utilizava para fazer uma demarcação, os cantos dos momentos culturais da nossa comunidade”, contou Bruno Joaquim Siqueira, presidente da Associação Indígena Tupinikim da Aldeia Irajá (Aitupaira), reconhecida como
, no contexto da política nacional de valorização da cultura de base comunitária.
Na Aitupaira, as ações têm o objetivo de valorizar a memória, os saberes ancestrais e as expressões artísticas indígenas, por meio da conexão entre tradição e atualidade.
Bruno Siqueira ressaltou a importância da mobilização dos jovens indígenas para a manutenção do modo de vida e dos saberes tradicionais.
“A juventude é a guardiã da cultura dentro da nossa comunidade hoje. Os mais velhos estão lá, mas já estão mais retraídos, eles já prepararam o caminho para gente ocupar esses espaços. Hoje a juventude é protagonista da cultura dentro do território do Tupinikim e Guarani, dentro do Espírito Santo”, disse.
A cacique Kunhatã Tupinikim (foto destaque), da aldeia Irajá, avalia que a participação da etnia na abertura do evento é uma oportunidade de apresentar um pouco da cultura tradicional e incentivar sua valorização, além de dar visibilidade às lutas históricas dos povos originários.
“Cada música, cada letra, é feita através de histórias dos nossos antepassados, até mesmo em busca de que os nossos ancestrais possam nos fortalecer, porque a nossa luta é diária. Cada estrofe que é soada, que é cantada, ela também está contando um pouco da nossa história [atual]. Pode ser uma história que já foi vivida no passado ou a nossa história do presente”, contou.
Das aldeias da cidade de Aracruz, Irajá é a única com uma mulher como cacique.
“Ser cacique mulher não é fácil, a gente ainda está vivendo um período em que a mulher convive com o machismo, com o racismo, muitas das vezes querem nos calar. Nós, mulheres, temos que nos posicionar e dizer que também temos a nossa voz e ela não pode ser calada”, disse a cacique Kunhatã.
“Para mim, esse é um momento gratificante: ter a representação de uma mulher à frente de uma comunidade na luta pela justiça, principalmente pela igualdade e do direito de nós mulheres, que nós possamos ocupar mais lugares que são nossos de direito”, acrescentou.
Com o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, a Teia reunirá agentes culturais, mestres e mestras das culturas populares, povos e comunidades tradicionais, gestores públicos e representantes da sociedade civil de todas as regiões do Brasil.
A cidade de Aracruz terá mais de 200 atividades, entre shows, cortejos, cinema, oficinas, rodas culturais, entre outros.
Um dos destaques do evento é a exposição “Você Já Escutou a Terra?”, com curadoria de Ailton Krenak e Karen Worcman. Na agenda de shows, estão nomes como Luedji Luna, MC Tha e Armandinho.
Fonte: Agência Brasil – EBC
