sexta-feira, setembro 11, 2026
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O acolhimento e a escuta devem integrar a rotina do ambiente de trabalho


O rotina de quem dedica cinco dias da semana ao trabalho é marcada por demandas, atendimento ao público e prazos dentro das instituições públicas. E somado a essa dinâmica ainda temos as tarefas diárias, vivências pessoais, desafios emocionais e dores que nem sempre ficam visíveis. Foi com a proposta de ampliar o olhar sobre o bem-estar no cotidiano dos profissionais que atuam na Câmara de Fortaleza que o Núcleo de Saúde Mental promoveu a palestra “O que ninguém vê”.

O evento integra as ações do Setembro Amarelo — mês de valorização da vida — e contou com a participação de especialistas do Programa de Apoio à Vida (PRAVIDA) da Universidade Federal do Ceará (UFC), além de profissional da psicologia, a coordenadora de Saúde Mental da CMFor, Larissa Lobo, e do psiquiatra Gabriel Fontenele. A iniciativa buscou ir além de abordagens pontuais, enfatizando a necessidade de identificar sinais sutis de sofrimento psíquico e reforçar a importância de transformar o espaço institucional em um local de escuta atenta, suporte e prevenção contínua.

Exercício da empatia

O momento prôpos que as pessoas, tanto no ambiente de trabalho como em casa, exercitarem um olhar para além das aparências. Muitas vezes, a tendência geral é associar o sofrimento emocional apenas a comportamentos explícitos, como o isolamento evidente ou o choro. Contudo, situações de sobrecarga e desgaste psíquico podem se esconder por trás de rotinas produtivas e atitudes silenciosas.

Para o servidor Paulo Marques, a iniciativa gerou a percepção de que é essencial resgatar a atenção ao próximo e o convívio interpessoal diante das demandas do dia a dia.

“A palestra teve como tema ‘O que ninguém vê’, um convite para você perceber coisas sutis do dia a dia que passariam despercebidas. É um convite para o ser humano se tornar mais social e prestar mais atenção às pessoas ao redor. Com o avanço da tecnologia e das redes sociais, muito disso tem se perdido. Esse retorno ao socializar, ao sentir o que o outro está sentindo e ao perceber o próximo, foi o grande alerta do encontro — algo que devemos levar também para as nossas casas e famílias.”

O ambiente de trabalho como segunda casa

Considerando que a jornada semanal ocupa grande parte do tempo de vida das equipes, as relações no ambiente corporativo têm papel direto na qualidade de vida. A convivência nos setores pode se constituir como um espaço de desgaste ou, ao contrário, como uma rede de empatia e apoio mútuo.

A servidora Lourdes destacou a importância de contar com momentos de pausa e reflexão para fortalecer os laços entre quem compartilha a mesma rotina de trabalho:

“Esse momento foi maravilhoso, refleti muito sobre a minha vida principalmente, pelo que estou passando. Preciso muito mesmo de apoio e eu gosto muito de trabalhar aqui e vejo as pessoas me tratando com carinho. Eu chego aqui triste, mas depois vou me animando. Eu agradeço a Deus pelas pessoas que gostam de mim”, destaca Lourdes Braga ao falar da importância de ter pessoas no ambiente de trabalho que representam um ombro amigo.

Ao destacar o papel do acolhimento dentro da instituição, o psiquiatra Dr. Gabriel Fontenele ressaltou a relevância de fortalecer as estruturas de apoio no ambiente profissional:

“Um ano do Núcleo de Saúde Mental, para a nossa felicidade, está sendo comemorado no Setembro Amarelo — um mês tão importante que não se resume apenas às discussões que tratam do risco de suicídio, mas é um mês de saúde mental, de valorização à vida como um todo. Esse encontro de hoje, em parceria com o Instituto PRAVIDA da UFC, traz um momento de acolhimento e de escuta. As pessoas às vezes não querem respostas, elas precisam apenas ser ouvidas. Nosso núcleo, que hoje conta com psicólogos e psiquiatra diariamente na Casa, faz com que possamos acolher e escutar os colaboradores, a fim de trazer uma qualidade de vida melhor para todos.”

Representando o PRAVIDA/UFC, o psicólogo Leonardo Martins reforçou a necessidade de abrir espaços institucionais para que as dores emocionais sejam reconhecidas e tratadas sem negligência:

“Acho uma iniciativa extremamente válida e necessária, uma vez que, dentro das instituições, as pessoas lidam muito com problemas relativos à saúde mental. Esse sofrimento muitas vezes é negligenciado e não é acolhido. No momento em que a Câmara abre espaço para que as pessoas possam falar das suas dores, das suas dificuldades e de algo que esteja trazendo um incômodo ou sofrimento psíquico, é uma ação de extrema importância.”

Suporte institucional e cuidado contínuo

Promovida em conjunto com o Centro de Promoção à Saúde do Servidor (CPSS) e o Núcleo de Saúde Mental da Casa — que disponibiliza atendimento diário com profissionais de psicologia e psiquiatria —, a ação reafirma a busca por estruturar canais permanentes de orientação.

Foto: Larissa Nobre



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