sábado, junho 13, 2026
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Pessoas negras são maiores vítimas de homicídios no país

As desigualdades estruturais, aliadas à criminalidade em geral e ao forte preconceito racial existente no Brasil, fazem com que a violência letal contra pessoas negras permaneça em um patamar elevado, de acordo com o

, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

32.820 homicídios de pessoas negras, correspondendo a 77% do total de homicídios

do país. A taxa verificada foi 27,3 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas negras, o que significa 89,9 pessoas negras assassinadas por dia no país.

Entre não negros, categoria que abrange brancos, amarelos e indígenas, foram contabilizados 9.234 casos nesse ano, à taxa de 10,1 homicídios por grupo de 100 mil pessoas não negras. De acordo com o estudo, a taxa de mortalidade por homicídio entre negros no Brasil supera em 170,3% a registrada entre não negros.

Na série histórica compreendida entre 2014 e 2024, 435.551 pessoas negras foram assassinadas no Brasil, contra 132.156 vítimas entre não negros

. Embora tenham ocorrido reduções nos registros de homicídios dos dois grupos, a dinâmica foi desigual, segundo o Ipea e o FBSP. Entre não negros, a redução alcançou 38,9%, enquanto, entre negros, foi 21,7%.

um cidadão negro tem 2,7 vezes mais chances de ser morto por homicídio do que um não negro

. Em Alagoas, esse risco chega a ser 23,3 vezes maior. O segundo maior risco relativo foi registrado no Amapá (16,7), seguido por Sergipe (6,8).

, Daniel Cerqueira, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, afirmou à

“a questão da violência está aumentando, em muitos casos, contra as minorias”.

No que se refere à população LGBTQIA+, o Atlas aponta que o Estado brasileiro ainda falha em registrar de forma sistemática a motivação desses crimes, o que acaba gerando uma “invisibilidade institucional que dificulta políticas públicas eficazes”.

Segundo o estudo, as notificações de violência contra homossexuais e bissexuais tiveram expansão de 5,5% de 2023 para 2024, totalizando 10.250 registros, enquanto as notificações de violência contra pessoas transexuais e travestis cresceram 2,5%, atingindo 5.575 registros.

Os casos envolvendo homossexuais mostraram aumento de 4,8% entre 2023 e 2024, passando de 7.043 para 7.378, enquanto os referentes a pessoas bissexuais cresceram 7,4% (de 2.675 para 2.872).

Em 2024, 5.575 pessoas trans e travestis foram vítimas de violência notificada (+2,6% em comparação ao ano anterior), sendo que o grupo de travestis registrou crescimento de 4,1% nos casos em relação a 2023.

Fonte: Agência Brasil – EBC

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