domingo, junho 14, 2026
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Povos tradicionais lançam aliança inédita para defender Mata Atlântica

© Vinícius Carvalho/OTSS-Fiocruz

Representantes de territórios ancestrais lançaram nesta quarta-feira (27), em São Paulo, a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica.

O lançamento ocorreu na Faculdade de Direito da Universidade de SãoPaulo (USP), no Dia Nacional da Mata Atlântica.

Formada por povos indígenas, caiçaras, quilombolas, caboclos, marisqueiras, povos de terreiro e pescadores artesanais de várias partes do país, a aliança foi organizada para representar e defender a Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do país.

A coalizão também luta pela garantia dos direitos territoriais desses povos e comunidades.

“Somos povos e comunidades tradicionais, guardiãs e guardiões de saberes ancestrais que nos permitem cuidar de nossa mãe natureza, suas florestas, rios, lagoas e mares”, diz o manifesto de lançamento da aliança.

, a coordenadora da Comissão Guarani Yvyrupa e habitante da Aldeia Rio Bonito, no Sertão de Itamambuca, em Ubatuba (SP), Ivanildes Kerexu, disse que a aliança é um projeto de união dos povos e que busca também reforçar a luta por esse território.

“Precisamos fazer essa Aliança da Mata Atlântica para que a gente possa ter o direito de políticas públicas e, claro, também para a preservação ambiental”, disse a coordenadora.

“O que manteve até hoje a Mata Atlântica sempre foram as comunidades tradicionais que nela vivem e que estão ali resistindo”, reforçou.

Para os povos indígenas, contou Ivanildes, a Mata Atlântica tem um significado muito especial, por incorporar “uma espiritualidade muito forte”. “Nossa crença do povo Guaranisempre foi que essa é uma região que para gente seria uma terra sem mal. Essa é a visão que o nosso povo sempre teve.”

Presente ao ato de lançamento, a deputada federal Sonia Guajajara (PSOL-SP),ex-ministra dos Povos Indígenas, ressaltou a importância do movimento como espaço de diálogo, de denúncias e de construção.

“Para nós é óbvio: o que para nós é o dia a dia de enfrentamento que a gente faznem sempre é compreendido pelas estruturas legais. Por isso se fazemnecessáriasessas vozes todos os dias para que essa mensagem chegue em todos os lugares. E não só chegue, mas que seja compreendida”, disse durante o evento.

Segundo Guajajara, além das consequências da exploração, da mineração e do desmatamento, o Brasil enfrenta agora uma ameaça internacional relacionada à exploração de

terras raras e minerais críticos

“Se as terras raras forem exploradas da mesma forma, sem considerar direitos, sem considerar salvaguardas, sem considerar consulta livre, prévia e informada, as consequências não serão diferentes do que é a exploração do petróleo para nossos povos”, disse ela.

Fonte: Agência Brasil – EBC

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