terça-feira, setembro 15, 2026
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Prevenção ao bullying e combate ao racismo nas escolas são abordados em palestra do EDHAL


A violência no ambiente escolar e a discriminação racial deixaram de ser tratadas como conflitos entre estudantes e se tornaram prioridades quando o assunto é direitos humanos. Em um cenário em que cerca de 30% dos adolescentes na América do Sul declaram ser vítimas de bullying presencial e até 27% enfrentam o cyberbullying, ações preventivas levadas diretamente às salas de aula desempenham um papel decisivo na garantia do desenvolvimento infanto-juvenil pleno.

Com essa temática o Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Dom Aloísio Lorscheider (EDHAL) promoveu uma palestra educativa voltada às turmas do 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal João Germano da Ponte Neto. A iniciativa buscou debater as causas e os impactos do bullying e da discriminação racial em unidades de ensino.

Para o coordenador do EDHAL, Marcus Giovani, aproximar o Poder Legislativo do cotidiano escolar é um passo essencial para a criação de redes de conscientização e apoio entre os estudantes.

“Mais uma vez a Câmara se aproxima da comunidade escolar e da sociedade para debater um tema de extrema importância que é a questão do racismo, tando no ambiente escolar como na sociedade”, enfatizou Marcus Giovani.

A relevância dessas intervenções encontra eco na avaliação da gestão escolar. Ao analisar como os problemas sociais se refletem na convivência pedagógica, a diretora da instituição, Aída Uchôa, fez um balanço positivo da ação promovida pelo órgão:

“As relações dentro da escola reproduzem o que acontece dentro de uma sociedade. Temos muitos casos de racismo, problemas de convivência entre as próprias crianças, muitas vezes trazidos do próprio lar. Então uma ação como essa tem um impacto extremamente positivo”, destacou Aída Uchoa.

Os impactos no desenvolvimento e na saúde dos estudantes

Os alertas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e os protocolos para a Educação das Relações Étnico-Raciais do Ministério da Educação (MEC) reforçam que o assédio e o preconceito racial atuam como determinantes diretos da saúde física e emocional do ser humano.

Dados e achados de indicadores Consequências ao desenvolvimento
Bullying Presencial (América do Sul) Atinge cerca de 30% dos estudantes de 13 a 17 anos Ansiedade, estresse traumático, sintomas somáticos e queda no rendimento escolar
Cyberbullying na Região (América do Sul e Caribe) Varia entre 7% e 27% (maior prevalência em meninas) Alterações graves de sono, isolamento social e superexposição

Protocolo estabelecido pelo MEC

O ambiente escolar conta ainda com o Protocolo de Identificação e Respota ao Racismo elaborado pelo Ministério da Educação e dividido por faixas etárias. O documento é utilizado como orientação de educadores, famílias e estudantes diante de episódios de discriminação racial na escola. O protocolo estrutura a atuação em seis passos fundamentais:

  1. Identificar e interromper: Cessar imediatamente qualquer manifestação racista ou discriminatória no espaço escolar.
  2. Acolher e proteger: Oferecer suporte emocional e segurança integral à criança afetada.
  3. Registrar: Documentar formalmente o ocorrido para garantir o acompanhamento pedagógico e institucional adequado.
  4. Dialogar com as famílias: Manter um canal aberto e transparente com mães, pais e responsáveis.
  5. Implementar ações pedagógicas: Desenvolver atividades transversais e de conscientização sobre as relações étnico-raciais.
  6. Acompanhar: Monitorar continuamente o clima escolar e a evolução das relações interpessoais na comunidade.

Fonte: Protocolo de Identificação e Respota ao Racismo nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental – Ministério da Educação

Estudos recentes indicam que crianças expostas à discriminação constante apresentam maior probabilidade de manifestar sintomas depressivos, ansiedade generalizada, dores crônicas e ideação suicida. Em comunidades com baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), esses fatores são potencializados pelas barreiras sociais.

Ao aliar orientações pedagógicas, diálogo direto e a participação dos próprios estudantes, ações como a realizada pelo EDHAL, reforçam que a construção de um ambiente seguro depende da ação coletiva. E falar sobre a temática desde as primeiras etapas do ensino ajuda os estudantes a reconhecer e combater a discriminação, rompendo ciclos de violência, garantindo uma cultura de respeito e inclusão nas escolas.

Veja a cobertura completa:

Fotos: Luciano Melo



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