segunda-feira, março 16, 2026
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Projeto fortalece turismo de base comunitária no litoral sul do Rio

Projeto fortalece turismo de base comunitária no litoral sul do Rio

Turismo organizado pela própria comunidade, com visitas pensadas para respeitar o território, a população local e a natureza.

Este é o chamado turismo de base comunitária (TBC), que o Projeto Roteiro Caiçara quer fortalecer na Costa Verde do estado do Rio de Janeiro. O projeto completou seis meses em dezembro de 2025, concluindo o primeiro período de atuação, com formações e reuniões com as comunidades. Em 2026, tem início a segunda fase de atuação.

Participam do projeto 12 comunidades caiçaras e quilombolas, sendo seis em Paraty ─Saco do Mamanguá, Trindade, Parati Mirim, Praia do Sono, Ponta Negra e São Gonçalo ─ e seis em Ilha Grande, no município de Angra dos Reis ─ Bananal, Matariz, Aventureiro, Enseada das Estrelas, Dois Rios e Praia Vermelha.

Na Costa Verde fluminense, o TBC é protagonizado por comunidades tradicionais, como caiçaras, indígenas e quilombolas, com produtos e serviços geridos por indivíduos, famílias e coletivos.

Mais do que uma proposta turística, esse caminho também nasce de uma história de resistência.

Desde os anos 1970, com a abertura da BR-101, cresceram as pressões de grilagem e especulação imobiliária sobre esses territórios. Hoje, somam-se a isso os desafios associados ao turismo de massa que, muitas vezes, concentra renda e aumenta impactos ambientais e sociais.

O projeto tem a duração total de três anos e atua em cinco frentes: capacitações para o turismo; obras de infraestrutura; manejo de trilhas; definição de roteiros turístico; econservação da natureza.

Segundo a coordenadora do projeto, Bete Canela,

o TBC é diferente do turismo de massa,geralmente promovido por pessoas que vêm de fora do território e empresas.

“Isso já existe. Mas o nosso projeto objetiva fortalecer quem está no território: as comunidades caiçaras, quilombolas, que estão ali há muito tempo e que oferecem serviços turísticos. Então, essa quarta linha do projeto é justamente fortalecer esses roteiros”, diz.

Canela defende que, ao mesmo tempo que promove o turismo, o projeto valoriza culturalmente a região. “Porque, à medida que a gente fortalece o turismo de base comunitária (TBC), ele é um turismo que não oferece só o quiosque, que não oferece só o caminho da praia, que só vai na cachoeira mergulhar. Ele conta a história do lugar, ele conta as tradições, a culinária, o artesanato. Então, tudo isso que é local, que as pessoas têm essa riqueza de saberes, isso entra também no projeto”.

O Projeto Roteiro Caiçara engloba, ao todo, seis períodos, ou três anos de atividades, com foco no turismo de base comunitária, conservação ambiental e valorização cultural das comunidades tradicionais de Paraty e Ilha Grande.

O projeto é realizado pelo Instituto Caminho da Mata Atlântica (ICMA), cuja missão é engajar a sociedade na conservação e recuperação da Mata Atlântica, por meio de atividades ao ar livre e da conexão de áreas naturais ao longo de uma trilha de longo curso, promovendo o desenvolvimento socioeconômico inclusivo, a conservação da biodiversidade e a valorização do patrimônio natural e cultural.

Canela enfatiza que, como uma das linhas de atuação, o projeto prevê obras que ficarão para as comunidades. “Por exemplo, tem comunidades que querem reformar um pier, por onde chegam os turistas, e precisam desse recurso. Outras querem fazer um centro de atendimento ao turista, porque não têm. Os turistas chegam na comunidade e não sabem exatamente quem procurar”, explicou a coordenadora.

Cada comunidade, segundo ela, está levantando possibilidades de obras que estejam relacionadas com o turismo, para as quais o projeto pode ajudar a financiar a construção.

Fonte: Agência Brasil – EBC

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