sábado, março 14, 2026
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Saiba como educar crianças e adolescentes para respeitar os animais

A violência contra animais gerouum debate no país nas últimas semanas, a partir do

espancamento do cão comunitário Orelha

por quatro adolescentes em Florianópolis (SC).Apunição dos autores ea banalização da violência estão no centro das discussões, assim como aprevenção, a ressocialização e as medidas educativas.

procurou organizações não governamentais (ONGs) voltadas ao apoio a animais abandonados ou vítimas de violência e a prefeitura de São Paulo, responsável por um dos maiores programas públicos de adoção e educação ambiental, parasabercomo o estímuloao contato e os cuidados com animais podem prevenir e interromper ciclos de violência.

O instituto Ampara Animal, que atua há 15 anos promovendo ações de cuidado, discussões públicas e apoio a abrigos e centros de adoção em todo o país, começará, nos próximos dias, a campanha “Quebre o Elo”, que chama a atenção para a gravidade da violência

A organização parte do pressuposto de que a violência com animais pode ser reflexo de outras às quais o praticante está exposto, sejam direcionadas a si ou a pessoas de seu convívio.Além disso, éum importante indicador da possibilidade de outras violências, principalmente contra grupos mais vulneráveis, como crianças, mulheres e idosos.

“Temos que tentar ensinar saindo de uma visão e uma educação antropocêntricas. A Amparasempre entendeu que a educação é o caminho para transformar em melhor a vida dos animais, principalmente quando voltada a crianças e adolescentes”, disse Rosângela Gerbara, diretora de relações institucionais da Ampara.

Ela explicou que esse modelo é chamado de ‘educação humanitária em bem-estar animal’e considerada uma solução para criar uma sociedade mais empática, com menos violência e com maior respeito.

Para Rosângela, essa aproximação tem que ser feita de forma gradual, sempre ensinando a criança a ser gentil com os animais, a respeitar o tempo e o comportamento de cada espécie, de preferência levando-a para ver os animais na natureza ou em locais que têm relação maior com o ambiente e modos de vida naturais.

O desenvolvimento da empatia, defende, requer a interação com animais e ajuda a criança a entender os sentimentos e as necessidades do outro, o respeito e a reduzircomportamentos de violência e intolerância.

Quebrar a perspectiva do animal como um objeto ou um produto é outro passo importante. Viviane Pancheri é voluntária há 15 anos na ONG Toca Segura, que cuida de cerca de 400 animais em um abrigo noGuará II, no Distrito Federal (DF), e em uma unidade maiorna cidade doNovo Gama, em Goiás. O Toca desenvolveu por anos uma iniciativa direta em escolas do DF.

“É importante que as crianças tenham a percepção de que os animais sentem medo, abandono, felicidade, enfim, que são sencientes [indivíduos capazes de sentir, perceber o mundo e vivenciar emoções]”, explica.

No abrigo, recebem famílias, que ajudamcomo voluntárias, pontualmente ou com maiorperiodicidade. Lá realizam o que chama de educação empática, mostrando ao outro como o cuidado e a atenção são importantes. A partir daí,trabalham valores e a forma como as crianças percebem o cuidado, já no convívio com os cães da Toca.

Essa interação é sempre pensada com bastante cuidado, tanto para acolher a criança quanto para não expor os animais a estresse ou alguma violência.

“Lidamos com animais que já passaram por situações de abandono e de violência. Alguns passaram privações, outros têm um pouco mais de dificuldade, sãomais arredios”, afirma Viviane.

Fonte: Agência Brasil – EBC

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