
Na manhã desta sexta-feira, 18, profissionais do Espaço Evoluir estiveram nos departamentos de Manutenção, Saúde e Comunicação, encerrando uma semana de visitas aos setores da Câmara de Fortaleza. A ação, em alusão à campanha Setembro Verde, teve como objetivo ampliar o diálogo sobre inclusão, respeito e valorização da diversidade.
A iniciativa promoveu momentos de sensibilização e compartilhamento de informações sobre a importância da construção de um ambiente cada vez mais acessível e inclusivo. A atividade de hoje contou com a participação da assistente social Tamiris Sousa e da psicóloga Ketlei Matos.

Ketlei realizou uma dinâmica sobre sentimentos. Cada pessoa recebeu um papel com uma emoção, como raiva, medo ou alegria, e o colega ao lado deveria identificar situações ou atitudes que despertavam aquele sentimento na pessoa. A proposta estimulou a escuta, a empatia e a troca de percepções entre os participantes.
“O objetivo é realmente a gente realizar essa psicoeducação mesmo com os funcionários daqui, pois embora sejam pessoas da própria instituição, elas acabam não tendo tantas informações como nós. Quando levamos o Espaço Evoluir para vários espaços aqui da Câmara, estamos dando a possibilidade de essas pessoas também ampliarem seu conhecimento”, disse.
Raika Lima, recepcionista do Centro de Promoção da Saúde do Servidor, destacou que a ação trouxe uma pausa na rotina e reforçou a importância de manter um olhar atento e acolhedor no atendimento às pessoas com deficiência.

“Estamos em um mês muito importante, com campanhas como o Setembro Amarelo e o Setembro Verde. E essa ação foi muito importante para quebrar um pouco a rotina, mas também para reforçar esse olhar de cuidado que a gente sempre tem aqui na Saúde”, afirmou.
Segundo Raika, a atividade também funcionou como um lembrete sobre a importância de manter um atendimento inclusivo. “A gente sempre tenta incluir da melhor maneira possível, adaptar o local para que elas fiquem confortáveis e para que o atendimento seja feito especificamente para elas. É ter esse olhar de como a pessoa está se sentindo e, se ela estiver se sentindo mal, oferecer todo o suporte necessário”, explicou.
Durante a atividade, a assistente social Tamiris Sousa chamou atenção para expressões utilizadas no cotidiano que podem reproduzir o capacitismo e reforçar estigmas relacionados às pessoas com deficiência. Entre os exemplos citados estão o uso de termos como “louco” ou “doido” de forma pejorativa, a expressão “mais perdido que cego em tiroteio” e o uso de “TDAH” para rotular ou desqualificar alguém.

“Muitas vezes no nosso dia a dia, algumas pessoas acabam querendo colocar limites nas ações do outro, trazendo algumas brincadeiras, alguns termos que acabam sendo termos preconceituais e capacitistas e aqui nós estamos frisando isso também, de que essas barreiras atitudinais acontecem”, alertou.
Para Lúcia Baima, do Departamento de Saúde, a ação trouxe justamente essa reflexão sobre atitudes e expressões utilizadas no cotidiano. “É uma ação que ensina muitas pessoas a respeitar o direito dos outros, e é isso que a gente está precisando. Às vezes, a gente brinca ou utiliza termos que podem acabar soando de forma negativa. E a atividade despertou esse olhar e vai fazer com que a gente comece a se policiar também em relação ao que fala”, destacou.
Tamiris finalizou sua fala reforçando que a inclusão efetiva depende tanto da adaptação da pessoa ao ambiente quanto da transformação dos espaços e das atitudes. “Não é só pegar a pessoa, inserir no ambiente e deixar que ela se adapte. O ambiente em si, as pessoas e as nossas atitudes precisam se adaptar à realidade da pessoa com deficiência”, ressaltou.
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Fotos: Luciano Melo

