
Imagine um país que levou a escravizaçãode pretos africanos até a penúltima década do Século 19. Essas pessoas eram exploradas como força de trabalho cativa para, por exemplo, a lida nas lavouras de cana-de açúcar e de café. Além da riqueza material criada pelos pretos e apropriada pelos brancos, a diáspora de escravizados africanos legou a esse país uma imensa fortuna cultural, sempre reverenciada na culinária, no idioma, na música, no encantamento do mundo ou sacralidade.
A descrição poderia ser doBrasil, mas é de um espelho nosso refletido no mar do Caribe: Cuba.
Vem daquela ilha, um pouco maior em área que o Estado de Santa Catarina, o enredo
,criado pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso de Tuiuti.
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A letra do samba-enredo que será interpretada por Pixulé, nome artístico de Roosevelt Martins Gomes da Cunha,foi encomendado pela agremiação ao professor de história e compositor Luiz Antonio Simas, em parceria com Claudio Russo e Gustavo Clarão – que já fizeram outros sambas sob demanda para desfiles da Tuiuti.
“Eu entrei na parceria porque o enredo me interessava”, conta Simas em entrevista à
.“Eu fiquei muito motivado com o enredo sobre a religiosidade afro-caribenha e as relações que ela tem com o Brasil.”
requer analisar as três palavras que compõem esse título. Loña diz respeito a conexões, caminhos ou comunicação entre humanos e divindades;Lukumi (ou Lucumí, na forma aportuguesada) se refere aos descendentes iorubás escravizados em Cuba; já “o ifá”, ensina o mestreNei Lopes, é “uma forma de religiosidade” que “une espiritualidade e racionalidade, filosofia e tecnicidade; que fundamenta e justifica inúmeras práticas rituais.”
O cantor, compositor, pesquisador e escritor Nei Lopes é autor do livro
Ifá Lucumí: o resgate da tradição
(Pallas Editora). A publicação “originou o enredo”, como conta o carnavalesco da Paraíso de Tuiuti, Jack Vasconcelos, em áudio compartilhado pela agremiação para a imprensa.
De acordo com Vasconcelos, o desfile se desenvolverá na avenida com “seis setores”, com alas de passistas e carros alegóricos. O primeiro mostrará a chegada do Ifá na Terra e a passagem do conhecimento aos primeiros babalaôs (sacerdotes). Em seguida, a escola contará como o Ifá chega a outras civilizações, além dos iorubás no território africano.
Fonte: Agência Brasil – EBC

