© Frame Angeli 24 horas/Divulgação
Do punk anarquista Bob Cuspe à desbocada e libertária Rê Bordosa. Dos Skrotinhos, gêmeos politicamente incorretos, a Wood & Stock, dois hippies parados no tempo, passando pelo guru picareta Ralah Ricota, o
cartunista Angeli criou personagens de forma crua e ácida para retratar tipos urbanos controversos
O paulistano do bairro da Casa Verde, que se tornou um dos maiores chargistas e cartunistas do país, completa 70 anos de idade nesta segunda-feira (31).
Arnaldo Angeli Filho já desenhava na infância e o contato na adolescência com os desenhos de Millôr Fernandes, Jaguar e Ziraldo no jornal
foi decisivo para a escolha de se tornar cartunista.
Nos anos 70, Angeli começou a fazer charges para o jornal
e, logo depois, criou a tira diária
, que se transformou numa revista de quadrinhos independente.
É nessa publicação que surgem os personagens Los 3 Amigos, criados por Angeli e pelos cartunistas Glauco e Laerte. Ao trio, se juntou Adão Iturrusgarai, o quarto elemento dos amigos.
Adão disse que conheceu o trabalho de Angeli pelas histórias da Rê Bordosa.
“Aprendi muito com eles, mas o negócio mais legal era amizade e parceria. Aprender para a vida, não para o trabalho, mas obviamente que, sem querer, eu absorvi muita coisa deles. Somos amigos até hoje. Enfim, me influenciaram muito no trabalho, o Angeli, principalmente”, disse Adão.
“Arrisco a dizer que o Angeli é um dos maiores artistas do mundo do século 20. Ele quebrou aí com uma tradição do quadrinho mais durão brasileiro, mais sisudo. Naquela época que eu conheci o trabalho dele, era uma época que todos os cartunistas estavam voltados para a coisa da ditadura, o cartoon com o general. E daí, de repente, o Angeli veio com aquela pegada Rolling Stones, de rock. Isso me pegou muito. Vestido de preto, punk. E eu tinha uma atração muito grande por esse universo do rock, do punk, São Paulo nos anos 80 era um lugar maravilhoso, assim, uma Disneylândia do underground”, afirma.
Bob Cuspe, o punk velho e ranzinza que cospe na hipocrisia da sociedade, é um alter ego do próprio Angeli.
Criador e criatura se deparam no filme lançado em 2021,
Fonte: Agência Brasil – EBC
