terça-feira, março 17, 2026
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Universidades vão engajar favelas em estudo sobre crise climática

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Em parceria com a Universidade de Glasgow, no Reino Unido, três universidades brasileiras vão conduzir uma pesquisa para propor formas de reduzir o impacto das mudanças climáticas nas favelas brasileiras. O grupo de pesquisa vai se debruçar até 2027 sobre comunidades de Natal (RN), Curitiba (PR) e Niterói (RJ), e

está prevista, para a partir de janeiro de 2026, a publicação de um edital com bolsas de pesquisa destinadas a integrar moradores ao trabalho

O projeto Pacha (sigla em inglês para Análise Participativa para Adaptação Climática e Saúde em Comunidades Urbanas Desfavorecidas no Brasil) tem como coordenador-geral o cientista brasileiro João Porto de Albuquerque, diretor do Urban Big Data Centre, da Universidade de Glasgow. O financiamento, superior a R$ 14 milhões, é proveniente da fundação britânica Wellcome Trust, uma entidade sem fins lucrativos que financia pesquisas na área de saúde e mudanças climáticas.

São parceiras da universidade britânica no Brasil a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), por meio do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU); a Fundação Getulio Vargas, por meio do Departamento de Tecnologia e Ciência de Dados da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP); e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

, o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da PUC-PR, Paulo Nascimento, lembra que

todos os municípios brasileiros devem elaborar planos de adaptação e mitigação das mudanças climáticas

. O projeto Pacha, entretanto, parte da premissa de que os dados que são gerados refletem muito mais a cidade formal do que as favelas.

“Por isso, todo o nosso esforço é construir uma base de dados produzida coletivamente com os moradores dessas comunidades e, a partir disso, gerar evidências que vão ajudar a revisar ou a olhar de outra forma esses planos de ação climática”, disse.

Com a escolha das três cidades brasileiras que serão estudadas, o projeto vai poder abordar contextos climáticos muito diferentes, destaca Nascimento.

O estudo vai investigar como as comunidades urbanas estão trabalhando essa questão e quais desafios enfrentam, dentro de uma perspectiva de criar indicadores com a participação dos moradores.

A ideia é verificar quais as capacidades que essas comunidades já estão desenvolvendo e como os pesquisadores podem aprender com elas.

O professor da PUC-PR chamou a atenção que as favelas são vistas, em geral, pelo olhar da precariedade, da ausência.“E o que a gente está tentando trazer é, através dos moradores, aprender e ver quais os problemas que eles consideram mais relevantes. Então, a ideia toda é a perspectiva de cocriação”.

o projeto vai conceder bolsas de doutorado e pós-doutorado e também bolsas vinculadas, obrigatoriamente, a moradores dessas comunidades.

“A gente vai ter pesquisadores comunitários, vinculados ao projeto, mas que são dessas comunidades envolvidas e que vão ser financiados por esse agente britânico, com a perspectiva de o projeto ser construído coletivamente”.

Fonte: Agência Brasil – EBC

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