
O Dia Mundial da Bicicleta, comemorado nesta quarta-feira (3), envolve não só uma definição de importância do veículo como meio de transporte sustentável, mas também preocupação com relação à infraestrutura cicloviária para a cidade do Rio de Janeiro.
A avaliação é da professora Andrea Santos, do Programa de Engenharia de Transportes do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Um dos pontos de pesquisa do programa é a necessidade de investimentos na expansão e adequação da malha cicloviária.
“E isso perpassa pela questão da segurança no uso da bicicleta. A gente sabe que para o avanço da malha cicloviária, como se trata de um meio de transporte muito importante, a questão da segurança tem uma série de vulnerabilidades na cidade do Rio de Janeiro”, indicou Andrea.
Algumas críticas estão relacionadas à equidade, justiça climática, ao plano de mobilidade urbana sustentável do Rio eao plano de expansão cicloviária. “O que, enfim, em termos de política pública, vem sendo pensado para promover esse meio de transporte?”, indagou.
Segundo Andrea Santos, na prática, ainda se vê uma série de deficiências, como expansão lentae com algumas falhas de planejamento urbano. A especialista também criticou, em relação à justiça e equidade, por exemplo, que a priorização das ciclovias é para a área nobre da capital. “Isso fica muito alinhado para turismo e para as classes A e B do Rio de Janeiro”.
Para Andrea,faltainvestimento adequado para as áreas mais periféricas, para outras regiões que precisam de mais investimento para promover um transporte sustentável por bicicleta.
“Então, a crítica que eu faço como pesquisadora é que não pode ser só a questão de ser bonito para turista e moradores da zona sul. A gente tem uma série de desafios relacionados à implementação dessas políticas cicloviárias na cidade do Rio de Janeiro”.
, a prefeitura do Rio de Janeiro não se manifestou sobre o tema.
As primeiras ciclovias do Rio de Janeiro foram inauguradas em 1991, integrando o projeto de reurbanização da orla, o Rio Orla. O primeiro trecho contínuo se estendia da Avenida Atlântica, em Copacabana, na altura da Rua Francisco Otaviano, até a Pedra do Leme.
A malha cicloviária inicial foi expandida e consolidada em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92), quando a cidade adotou infraestruturas voltadas à mobilidade sustentável.
Andrea Santos chamou a atenção para a necessidade também de educação e conscientização da população que usa as ciclovias e para quem usa bicicleta elétrica e ciclomotores. “É preciso ter a colaboração dos usuários, da sociedade, para reduzir as mortes no trânsito, concluiu a pesquisadora.
O escritor argentino Juan Carlos Kreimer, de 81 anos, é ciclista há 76 anos, e defende o ciclismo urbano como “o cavalo de batalha universal da mobilidade sustentável”. Ele está no Rio nesta quarta-feira para lançar na Livraria Janela, no Jardim Botânico, zona sul da capital, o livro de sua autoria
Zen Ciclismo, a Bicicleta como Caminho
No livro, Kreimer estimula a bicicleta como meio de transporte sustentável. “Nem todos sabem de verdade o que significa o conceito de sustentabilidade, mas entendem para qual direção ele indica. O conceito é definido ao pôr em prática políticas e estratégias que reúnem as necessidades atuais da sociedade sem comprometer a capacidade das futuras gerações de solucionar seus próprios problemas”, afirma emtrecho do livro.
Fonte: Agência Brasil – EBC
