sábado, agosto 1, 2026
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Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor

Com uma linguagem precisa, que transformou uma nuvem em “a flor do céu”, a poeta Orides Fontela teve parte de sua obra adaptada para a infância. Ao reunir literatura, arte e natureza,

(Editora Hedra) oferece às crianças possibilidades de contemplação e curiosidade,marcas dos poemas da autora.

Lançado neste mês de julho, o livro propõe uma aproximação das novas gerações à poesia de Orides.

Orides parte de elementos simples e cotidianos, como um pássaro, uma nuvem, uma flor, uma vaca, caleidoscópio, para refletir sobre o mundo, o tempo e a espera.

“Fico imaginando uma criança que se depara com os poemas da Orides, tão cheios de mistério e quase queimando na ponta da língua de tanta intensidade. É uma chance de acriança lembrar do susto e da beleza de ver o mundo por outra perspectiva”, disse o poeta e educador André Gravatá, em entrevista à

O poeta lembra da ocasião em que uma criança lhe contou sobre ter conversado com a água. “Ela estava escovando os dentes e decidiu se declarar dizendo ‘eu te amo’ para a água. O que é isso senão um poema vivido no corpo? Criança que lê poesia encontra alimento para nutrir sua sensibilidade, para continuar brincando, se espantando.”

Gravatáé autor de livros infantis como

Todo mundo rodopia enquanto rodopia o mundo

“Provocar a paixão pela literatura já na infância é fundamental”, disse o poeta.

André ressalta que as crianças amam ouvir poemas, ainda mais quando quem apresenta a poesia para elas têm paixão pelo que diz. “Poetas brincam com as palavras, assim como as crianças brincam com tudo que encontram, então elas sabem bem a essência do ofício de quem trama poemas”, concluiu.

foi celebrado em mesa de conversa com a presença do organizador Augusto Massi e da ilustradora Cynthia Cruttenden, na Casa da Árvore, durante a 24ªFesta Literária Internacional de Paraty (Flip), em que

Orides foi a autora homenageada

. A autora morreu em 1998, aos 58 anos, logo após o lançamento de

Para Massi, a poesia de Orides compartilha com a infância uma mesma postura diante do mundo: o olhar investigativo e a liberdade de interpretação.

“Tem espaço no livro, contrastes, exatamente para que a criança possa fazer perguntas. Outra coisa que a Orides ensina é realmente tecer considerações sobre as coisas, [como faz] ao descrever certos pássaros. O João de Barros que aparece e ela fala: ‘É o pássaro operário, é o pássaro trabalhador’”, disse, no evento.

Fonte: Agência Brasil – EBC

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