domingo, junho 14, 2026
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Maio Laranja: Espaço Evoluir promove encontro sobre proteção da infância na Câmara de Fortaleza


O Espaço Evoluir realizou na manhã desta segunda-feira, 25, um encontro no Auditório Ademar Arruda, dedicado à conscientização, ao cuidado e à proteção de crianças e adolescentes. A ação, que integra a campanha Maio Laranja, propôs uma reflexão coletiva sobre o papel das famílias, da sociedade e do poder público na garantia de uma infância segura.

A coordenadora do Espaço Evoluir, Cinthya Viana, explicou que a iniciativa surgiu diante da responsabilidade do espaço de promover a discussão sobre a violência infantil. “A ideia surgiu realmente da questão do comprometimento e da responsabilidade do espaço com ações de conscientização e orientação às famílias. A gente percebeu que é uma temática muito esquecida, mas necessária ser orientada”, apontou.

A assistente social, Tamiris Sousa, abriu o evento com a palestra “Infância Segura: construindo uma rede de proteção”. Na ocasião, ela destacou que o cuidado com crianças e adolescentes deve envolver toda a sociedade. “Essa proteção é um dever de todos. Não só da família, mas também do poder público, do Estado e da sociedade de modo geral”, pontuou.

Tamiris também chamou atenção para os dados do país. Segundo ela, no Brasil, a cada hora, três crianças são vítimas de violência sexual e 51% das vítimas têm idade entre 1 e 5 anos. Ela também informou, que de janeiro a março deste ano (2026), o Ministério Público registrou no Ceará, 128 casos ligados à violência sexual de crianças e adolescentes. Ela reforçou a importância dos pais orientarem a criança, de evitar deixar a criança sem roupa, de acompanhar as crianças em banheiros públicos, de monitorar e controlar o acesso às telas e tomar cuidado com as imagens compartilhadas.

A psicóloga Ketlei Matos, responsável pela palestra “Proteção na Infância: diálogo, cuidado e prevenção”, também chamou atenção para a necessidade de ampliar o debate sobre violência infantil e fortalecer os mecanismos de prevenção. Segundo ela, o crescimento dos casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes torna ainda mais urgente o papel da informação e da conscientização.

“Infelizmente, as taxas de abuso sexual de crianças e adolescentes vêm crescendo, principalmente aqui no Ceará. Quando tratamos desse assunto, trazemos informação, prevenção e alertas. Cuidar continua sendo a melhor forma de prevenir”, afirmou.

Ketlei destacou ainda que a proteção da infância deve ser uma responsabilidade compartilhada entre famílias, profissionais e sociedade. “Pais, cuidadores, profissionais da saúde e toda a sociedade têm responsabilidade sobre essas crianças e adolescentes. Quando aprendemos a identificar sinais de alerta, conseguimos agir e prevenir situações de violência”, ressaltou.

A psicóloga também defendeu a importância da educação sexual adequada para cada faixa etária, utilizando abordagens lúdicas com as crianças para ensinar limites e segurança corporal. “A sinalização corporal é fundamental. Trabalhamos com as crianças de forma lúdica, ensinando, por exemplo, quais partes do corpo não podem ser tocadas, dizendo que ali é uma área vermelha, remetendo aos sinais de trânsito. Já com adolescentes, conseguimos ter diálogos mais abertos, com vídeos, livros e outras ferramentas educativas”, explicou.

Outro ponto enfatizado por Ketlei foi a importância da denúncia, inclusive em casos de suspeita. Ela lembrou que o Disque 100 recebe denúncias anônimas e reforçou que a omissão pode contribuir para a continuidade da violência. “Muitas vezes as pessoas têm medo de denunciar, mas a denúncia é anônima. Infelizmente, muitos casos acontecem dentro do círculo de convivência da criança, envolvendo pessoas próximas e até familiares. Por isso, qualquer sinal de alerta que você identificar, deve ser levado a sério”, alertou.

A programação também contou com a palestra “Telas com Afeto: Educação digital para famílias que cuidam”, ministrada por Henrique Mota, coordenador da Coordenadoria de Informação de Dados (Coid) da Câmara. Na ocasião, ele falou sobre a presença cada vez mais intensa da tecnologia na rotina das crianças. Segundo Henrique, o papel das famílias não é afastar crianças e adolescentes do ambiente digital, mas orientar o uso consciente e seguro das ferramentas tecnológicas.

“A tecnologia está presente em todo canto, inclusive dentro das famílias. As crianças, cada vez mais cedo, têm acesso às telas. A conscientização dos pais não é impedir o uso, mas ensinar a utilizar com consciência, com amor, inclusão e cuidado”, destacou.

Dentre os principais riscos presentes no ambiente digital, especialmente para crianças e adolescentes que utilizam a internet sem acompanhamento adequado, Henrique citou: casos de assédio, aliciamento virtual, cyberbullying, manipulação emocional, acesso a conteúdos impróprios, participação em desafios virais perigosos e até golpes financeiros. Henrique ressaltou ainda que a tecnologia não deve ser vista apenas como ameaça, mas como uma realidade que exige acompanhamento e diálogo dentro das famílias.

Josivania Moreira é mãe de uma das crianças atendidas pelo Espaço Evoluir e participou da palestra. Ela contou que a discussão trouxe novos alertas e ampliou sua percepção sobre os riscos do acesso excessivo ao celular. “Abriu mais a minha mente. Minha maior preocupação é quando ela fica com outra pessoa e usa bastante o telefone. Comigo eu fico de olho no que ela está assistindo”, afirmou. A mãe ressaltou ainda que, após as orientações recebidas durante a ação pretende adotar novos cuidados com a filha.

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Fotos: Luciano Melo



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